[[legacy_image_277429]] Diante da elevação da temperatura no mundo, sentida em toda a costa litorânea brasileira, cidades e estados precisam buscar soluções para amenizar as consequências e tentar neutralizar os efeitos das mudanças climáticas. Esta foi a conclusão de convidados da quinta edição deste ano do fórum A Região em Pauta. Com o tema Mudanças Climáticas, o evento ocorreu nesta terça-feira (27), no Auditório do Grupo Tribuna, em Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No primeiro painel, o professor Ronaldo Christofoletti, coordenador do Instituto do Mar, da Unifesp Baixada Santista, apresentou uma pesquisa comprovando o crescimento das ondas de calor nos últimos 40 anos. Segundo o estudo, no período, eventos extremos de temperatura cresceram 84% em São Paulo, 100% no Rio Grande do Sul e 188% no Espírito Santo. Assim, o especialista disse que “precisamos desacelerar o processo de carbonização, para emitir menos gás carbônico, com mais adaptações. Necessitamos de planos que saiam do papel, com ações efetivas”. O docente também falou que não se trata de “planejar o futuro”, mas agir de forma imediata devido aos problemas oriundos do aquecimento global. Por sinal, a geóloga Celia Regina de Gouveia Souza, do Núcleo de Geociências, Gestão de Riscos e Monitoramento Ambiental do Instituto de Pesquisas Ambientais da secretaria estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, citou algumas das consequências. “Eventos severos têm aumentado. Neste século, temos 67% de todas as ressacas (registradas desde 1928). Também cresceu a intensidade de eventos conjugados (ressaca aliada à maré alta). Do total, 73% foram neste século”. Ações Os secretários de Meio Ambiente de Santos, Marcos Libório, e de Transporte de Praia Grande, Leandro Avelino, relataram iniciativas de seus municípios. As cidades foram premiadas, recentemente, pelo Instituto Cidades Sustentáveis, por medidas ecologicamente corretas. O praia-grandense abordou o programa de descarbonização da frota de ônibus públicos. “Hoje, 100% dos veículos são movidos a biodiesel. Ouvimos (falar) de elétricos, mas não podemos esquecer da excelência brasileira em etanol e biodiesel.” O santista comentou sobre o programa de recuperação da Mata Atlântica. “Criamos a ação de adaptação baseada em ecossistemas no Monte Serrat. É a única ação em morro do Brasil, com restauração de áreas relevantes de vegetação, para aumentar proteção contra deslizamentos. Temos investido quase R\$ 100 milhões em contenção de encostas.” As consequências decorrentes das mudanças climáticas vão além do aquecimento global. Problemas de saúde também estão na esteira das alterações. Ondas de calor De acordo com relatório anual da revista Lancet, mortes de pessoas com mais de 65 anos relacionadas ao calor aumentaram 68% no período entre 2000 e 2004 e de 2017 a 2021. A bióloga Mariana Veras, pesquisadora do Laboratório de Patologia Ambiental e Experimental do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, explicou por que os idosos sofrem com o calor. “Nosso sistema de refrigeração depende dos vasos sanguíneos. Quando está frio, o sangue vai para as regiões centrais. No calor, às extremidades. O idoso sofre porque os vasos são mais frágeis”, disse. Ela afirmou, ainda, que crianças também sentem as mudanças. Mas atitudes básicas, como “boa hidratação e ficar abrigada do calor”, ajudam na manutenção da saúde. (MS) Desigual O coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis, Igor Pantoja, apresentou o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades. O levantamento mostra que nenhuma cidade brasileira tem o nível mais alto de pontuação. “Há grande nível de desigualdade quando pensamos no desenvolvimento sustentável entre elas. Nenhum município tem o nível muito alto. A maioria (3.139 cidades) está no nível baixo”, disse. Conforme o estudo, cuja pontuação vai até 100, a média nacional é de 46,9 pontos. A Região Sudeste registrou 51,92. Santos cravou 63,1, resultado que deixa o Município na 16ª posição do país. Na sequência, aparecem Praia Grande, com 57,4, e Peruíbe, com 56,14. Suplemento Neste domingo, A Tribuna publica o caderno especial do fórum A Região em Pauta, que vai aprofundar o debate promovido nesta terça-feira.