[[legacy_image_111421]] E como vai ser o mundo, a partir da implementação, em escala cada vez maior, dos princípios de desenvolvimento ESG? Difícil prever, com exatidão, quando este tipo de preocupação será orgânica. Mas os especialistas ouvidos no projeto A Região em Pauta concordam em algo: na prática, ele já chegou. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Vivemos um momento que nos gerou tanta doença socioambiental, onde o planeta hoje sofre. Mas também, ao mesmo tempo, vemos as pessoas tomando consciência dos impactos. Essa é a hora onde lideranças, pessoas que são mais atentas, começam a querer ver como podem impactar melhor o meio ambiente, resolver os problemas da questão social. Porque o mundo nunca esteve tão abundante e ainda temos pessoas passando fome”, vislumbra Luiz Fernando Lucas, escritor, especialista em ESG e compliance. O consultor Daniel Maeda vai na mesma linha. “Está claro que caminhamos no sentido de acelerar a adoção de boas práticas e qualificar as discussões de ESG no mundo corporativo. Isso é fundamental, pois os desafios que o mundo enfrenta impõem que todos (e cada um) façam ao menos sua parte. E ainda assim vamos precisar ir além, com soluções regenerativas que ajudem a reverter, ou mitigar, danos já causados”. Moisés Ribeiro, gerente de sustentabilidade da EcoRodovias, faz seu diagnóstico. “É uma força, que sofreu uma acomodação com o acrônimo ESG. Porque estamos falando sobre sustentabilidade, questões ambientais e sociais, há bastante tempo. Para uma empresa que já vem trazendo essas práticas, de alguma forma, a implantação é um processo mais orgânico que numa que se depara pela primeira vez com isso”. Carlo Pereira, diretor do Pacto Global da ONU, considera que o Poder Público tem que vir junto. Um aspecto muito importante é sobre parcerias e implementação. “Está mais do provado de que ninguém faz nada sozinho. A gente precisa de todos os setores da sociedade trabalhando em conjunto. Quando se fala em Agenda 2030, ela foi criada pelos três setores da sociedade: poder Público, empresas e sociedade civil. E a ideia é de que todo mundo implemente”, acrescenta. Uma parte importante desse processo, no seu entender, é a interiorização ou localização da agenda. Ou seja: primeiro Estados, traduzindo essa agenda para o seu país, mas também estados e municípios. “O que é importante para a Baixada Santista? O que a gente tem que atacar? São avaliações que se tornam possíveis. E, claro, lançar mão de vários instrumentos financeiros cada vez mais focados nessa agenda ESG”. Capitalismo de stakeholders O diretor do Pacto Global da ONU lembra, ainda, que a chamada primazia dos acionistas começou a cair em 2008. No lugar dela, começou a ganhar corpo o chamado capitalismo dos stakeholders. Um passo e tanto para o ESG ganhar tração. “As coisas começaram a se mexer muito rapidamente no âmbito histórico, até que uma machadada pôs uma pá de cal na primazia dos acionistas. Isso é um marco muito significativo nessa agenda. A economia dos stakeholders vem trazer um conceito dentro desse movimento ESG. Como já disse Victor Hugo, ‘Nada é mais potente do que a força de uma ideia cujo tempo chegou’”, finaliza Pereira.