[[legacy_image_300959]] As organizações vêm realizando mudanças, tendo como foco a diversidade. Tais alterações não se limitam a abertura de vagas para públicos diferentes. Há ações estruturais e de convívio, entre outras, com o objetivo de tornar o ambiente corporativo mais inclusivo. Tudo isto serve para que profissionais de grupos tidos como minoritários se sintam prestigiados e importantes. As implementações começam já no processo seletivo. A coordenadora de Cultura e Diversidade da EcoRodovias, Débora Toti, explica que, já no recrutamento, sua companhia empodera os selecionadores. “Eles têm acesso a um painel, onde captam a diversidade de todas as áreas. Se tenho uma vaga em determinado setor, a seleção vai saber como está aquele local de mulher, homens, PCD (pessoa com deficiência) e já provoca, na abertura da vaga, intencionalmente, quem pode ser trazido”. Tem mais. A especialista lembrou do projeto Viveiro de Mudas, que existe há quase 15 anos e conta com deficientes intelectuais, que enfrentam mais dificuldades de colocação no mercado de trabalho. “Nessa ação, cultivamos mudas nativas, para reposição de impacto ambiental. Depois, começamos a abrir processos seletivos internos para eles se candidatarem. Temos ex-viveiristas em funções administrativas. Mas, alguns não querem, porque adoram mexer com plantas”, salientou Débora. “E nós também respeitamos essa escolha”. Os convidados também falaram de outras atividades, como rodas de conversas, palestras e até cursos de libras para facilitar a comunicação com indivíduos que tenham qualquer nível de deficiência auditiva. Porém, há outras alterações, como a adoção de banheiros unisex nos escritórios da empresa MSC. “Tentamos fazer as pessoas ficarem confortáveis. No começo, foi impactante. Porém, como deixo o prédio pronto para cadeirantes, tenho de começar a fazer ações mais concretas (para outros públicos)”, disse a gerente de Recursos Humanos da MSC, Aurora Acuña. Médio a longo prazoToda as estratégias já citadas possuem um foco claro, como citado pela subgerente de RH da MSC, Juliana Ventura. “Os colaboradores precisam se sentir em um ambiente seguro e confortável, entendendo que não estão em um local em que vão receber represálias”. Contudo, como considerado pelos participantes de A Região em Pauta, tudo faz parte de um processo que é de médio a longo prazos. Exemplo disso é um censo interno anônimo adotado pela EcoRodovias. Aos poucos, ele aponta um aumento de profissionais confirmando suas orientações e identidades. “As pessoas ficam à vontade para identificarem suas orientações. É um caminho. Fazemos a cada dois anos e dobrou a quantidade de pessoas que se declararam LGBTQIAPN+. Isso quer dizer que ficaram mais confortáveis para se abrirem. Ali, você pode ser você”, disse a coordenadora de Cultura e Diversidade da empresa. Seja como for, apesar das evoluções, como disse Juliana Ventura, existe a clareza de que há “um caminho muito longo, um processo de formiguinha, mas que tem de ter continuidade”.