[[legacy_image_32841]] E se a pandemia acabasse amanhã e todas as escolas pudessem ser reabertas, com aulas presenciais, quais os primeiros passos para a convivência nesse cenário que inexiste há mais de um ano? Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Para a educadora Elisabeth Tavares, o acolhimento fraterno de pais, alunos, professores e funcionários da escola é o primeiro passo. E por ‘acolhimento’ entenda-se o sentido mais amplo da palavra: ouvir os relatos de cada um, as dificuldades que enfrentaram, os medos que carregam, as perdas e, só então, traçar os rumos dali por diante. Elisabeth foi dirigente estadual de ensino da rede estadual, é doutora em Educação e professora universitária nos programas de mestrado da Unimes. Para ela, por acolhimento também se deve entender o resgate dos alunos que, durante a pandemia, não puderam ou não tiveram condição de acompanhar as atividades remotas. “Precisamos ir buscar esse aluno onde quer que ele esteja, no nível em que ele parou. Mais importante que constatar o atraso é não perder esse aluno de vez, é fazer com que ele fique e queira estudar”. Formação continuada Elisabeth participou de A Região em Pauta no ano passado, quando a pandemia estava em seu primeiro mês. Já naquele momento, ela defendia a necessidade de oferecer formação para os professores, para que eles tivessem condição de permanecer conectados a seus alunos e transmitir os conteúdos. “Os professores foram jogados. O ambiente virtual não pode ser um repositório: eu coloco lá a videoaula, o texto, a atividade avaliativa. Educação não é isso. Se não tiver a relação da conversação, não vai se concretizar efetivamente”, disse a educadora no ano passado. Sintonia “A aula é sagrada. É o momento que você tem com seu aluno, é só seu. Para que ele mantenha o interesse e apreenda o que você quer passar, é preciso ter a atenção desse aluno. Como se faz isso por plataformas digitais? Esse professor foi capacitado para lidar com elas? Eu acredito que não. São plataformas prontas que, em geral, não tiveram a participação dele na elaboração”, diz. E mais: “Os alunos não são iguais, então, a forma de ensinar não pode ser igual para todos eles. Essa é a diferença básica entre o presencial e o remoto”, diz Elisabeth, um ano depois do início da pandemia, mas em sintonia com o que defendeu no ano passado. Outra questão levantada pela educadora é a formação mais completa do professor. Ela defende que essa formação seja maior e continuada, já que novos desafios vão sendo apresentados ao longo da carreira. “A tecnologia é apenas um item dessa formação continuada. Quantos professores sabem fazer uma apresentação em Power Point? Quantos dominam essas novas tecnologias? Às vezes, o aluno sabe mais que o professor. E se ele não sabe, não domina, como vai manter a atenção desse aluno por tanto tempo, por tantos meses?”, questiona. Planejamento Mas nem tudo está perdido, diz Elisabeth. É possível resgatar o que ficou pelo caminho desde que se faça um amplo diagnóstico desse período, o acolhimento necessário e o planejamento de como será daqui para frente. “Noto que se dá grande valor aos resultados dessas avaliações nacionais e internacionais, como o Pisa, Saeb e outros. Mas me parece que esses dados têm servido muito mais para estabelecer rankings entre países, estados, municípios e escolas, quando deveriam servir para planejar o futuro”, pondera. Para Elisabeth, os resultados deveriam nortear as políticas públicas de curto, médio e longo prazos. Ela acredita que os resultados desse período de pandemia possam vir piores, mas defende que eles sirvam para nortear as políticas daqui para frente.