[[legacy_image_251318]] Sempre se fala que Educação é o futuro, que Educação é o caminho para a transformação, que Educação é o que torna países e cidadãos mais dignos e na rota do desenvolvimento. A pandemia atingiu todos os segmentos produtivos, e seus efeitos no processo educativo de crianças e jovens ainda serão sentidos por muito tempo. Mais do que nunca, falar em resgate da Educação deve significar a adoção de políticas, medidas e práticas que revertam os efeitos deletérios que o ensino improvisado por telas impuseram aos estudantes. No primeiro encontro do projeto A Região em Pauta de 2023, algumas notícias boas surgiram. A primeira diz respeito às crianças das séries iniciais, não só da alfabetização como dos primeiros anos do fundamental 1. Havia uma preocupação legítima de que fazer crianças tão jovens fixar o olhar e aprender por meio de telas de computadores ou celulares não seria nada produtivo na tarefa de ensiná-las. Se esse já é um processo desafiador em aulas presenciais, quando à distância mais complexo ainda. Pelo relato dos educadores, o prejuízo, ao menos do ler e escrever, está sendo revertido em prazo inferior ao estimado, e isso decorre, predominantemente, da facilidade que os jovens têm com a tecnologia. Por outro lado, é preciso atenção redobrada em relação ao convívio social e às demais habilidades desenvolvidas e aperfeiçoadas nos primeiros anos de escola, trabalhar em equipe aí incluído. Governos municipais e Estado têm divulgado a intenção de ampliar as escolas em tempo integral, em que os estudantes ficam no período convencional com as atividades corriqueiras, e têm a oportunidade de contato com outros conhecimentos no contraturno. A ideia não é nova e já foi ensaiada em outras épocas, cada hora com um nome diferente. É preciso dizer da assertividade desse programa, porém, seu pleno funcionamento depende da qualidade do que se vai oferecer no período extra, da oferta de alimentação com qualidade e da ampliação do quadro de professores e/ou especialistas. Escolas não são depósitos de crianças e adolescentes. Ficar o dia inteiro pressupõe infraestrutura adequada. Por fim, o encontro da última segunda-feira revelou um cenário preocupante em relação à formação de novos professores. Estudo feito pelo Instituto Semesp, a partir de dados oficiais, revela que decresce o interesse de jovens pelas carreiras de licenciatura, o fechamento de cursos presenciais e o crescimento da modalidade EaD. Há uma predominância, também, de ingressantes mais velhos, o que se explica pela necessidade que têm de obter o diploma por já estarem em sala de aula de forma precária. Como se vê, falar em Educação é pauta do hoje, do agora. Revisitar esses tópicos deve estar na preocupação de gestores, sim, mas da sociedade também.