[[legacy_image_278388]] Não faltam dados, números, estatísticas, evidências, comprovações e exemplos. Já está dito e (re) dito que a temperatura do ar e dos oceanos está subindo, que seus efeitos já são sentidos há décadas e suas causas são conhecidas, quase todas ligadas à emissão de gases de efeito estufa, os conhecidos GEE, que prejudicam a camada de ozônio, aquela que nos protege do calor excessivo que vem dos raios solares. Também já é de domínio público que, ano após ano, os países se reúnem para revisitar os dados do aquecimento global e estabelecer novos caminhos para fazer cumprir o Acordo de Paris, que tem por finalidade limitar o aumento médio de temperatura global a 2ºC, quando comparado a níveis pré-industriais. Dito isso, é possível enxergar os fatos com o copo meio cheio ou meio vazio, o que já é uma grande notícia, já que até duas décadas atrás o copo estava meio vazio e sem perspectivas de que ficasse cheio. A notícia ruim é que ainda é pequena a parcela da população, dos governos e das empresas que vem adotando medidas efetivas para combater a emissão de gases poluentes. E isso não inclui apenas deixar o carro em casa, mas diminuir a geração de lixo, consumir com consciência, preservar o verde e ampliar o diálogo sobre essas questões nos ambientes onde se convive. A boa notícia é que começam a surgir iniciativas positivas por parte de prefeituras, entidades, escolas e setor empresarial. Praia Grande dá exemplo ao trocar sua frota de ônibus movidos a diesel por biodiesel. Santos também, por mitigar os efeitos das chuvas nos morros com o plantio de árvores. Certamente há bons exemplos nas demais cidades da Baixada Santista. A outra boa notícia é que iniciativas como essas ganham espaço na mídia e provocam o efeito multiplicador, motivando outros governos a fazerem o mesmo. No setor empresarial, parte da mudança está atrelada às exigências que vêm junto com o conjunto de políticas conhecidas por ESG, em que o fator ‘defesa do meio ambiente’ é condição imprescindível de sobrevivência no universo corporativo, quer pelos consumidores mais exigentes, quer pela valorização no mercado de capitais. Nem tudo será possível fazer, e nessa equação é preciso pensar na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e na construção de cidades resilientes. Estudiosos dizem que, se fosse possível parar agora todas as emissões do mundo, o que já foi depositado na atmosfera ainda provocaria estragos por mais 50 anos. Essa é a razão pela qual se deve pensar não só em reduzir, como também prever seus impactos, em especial nos países e comunidades mais vulneráveis. Se o assunto está posto e não é de hoje, se não faltam informações e se todos já sabem que têm tarefas nessa caminhada, só resta, agora, sair da letargia e começar a agir. Pelo futuro? Não, pelo agora.