[[legacy_image_204541]] Pode-se dizer que o Arte no Dique é um espaço de transformação. A começar pelo próprio espaço que o Instituto ocupa. Duas décadas atrás, em 2002, o local no bairro Rádio Clube, na Zona Noroeste, em Santos, era uma vala. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O tempo passou. As iniciativas culturais, esportivas e profissionalizantes foram sendo implementadas, gerando oportunidades e grandes resultados, com cursos de formação de manicure, pedicure, de panificação, aulas de taekwondo e a música como elo, no festival Som das Palafitas, com a presença de grandes nomes da região e fora dela. O trabalho ultrapassou a comunidade da Vila Gilda e ganhou o mundo. O Coletivo Querô, grupo de percussão que abriu o A Região em Pauta deste ano, é um exemplo disso, com apresentações fora do País. “Nossa visão é que cultura é algo extremamente amplo. Não são apenas as linguagens artísticas”, afirma José Virgílio, presidente do Instituto Arte no Dique. Nascido em Salvador, o baiano veio para Santos depois de ter sido visto por Fausto Figueira, médico e político santista, em um trabalho ligado à percussão desenvolvido por Virgílio em Santo André. O plano era apenas implementar a mesma iniciativa, mas acabou indo muito além. “Atendemos diariamente cerca de 300 jovens de diversas idades, dentro do programa da educação integrada, sempre no contraturno escolar. Muitos queriam transformar suas vidas pela cultura e pela arte. E conseguiram. São jovens da periferia que moram na Europa, com carreiras consolidadas”, detalha. O programa Beco Limpo, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente de Santos, é outro que merece destaque, com recursos vindos de multas ambientais, em união de três anos com o Ministério Público. Bolsas são fornecidas a jovens da região, preparados por professores para ações para educar a população local sobre poluição e depredação ambiental. A primeira turma foi formada em agosto. O Arte no Dique quer retomar o intercâmbio internacional, além de estar construindo uma quadra multiuso para revelar novos talentos do esporte e uma escola de marcenaria, em parceria com a Prefeitura de Santos – esta última com perspectiva de inauguração até o final deste mês. “A gente vê quanto a Cultura ajuda a transformar também outras áreas. Com o Arte no Dique, temos um restaurante Bom Prato e ganharemos uma policlínica”, lembra Virgílio. Batalhas do verbo Os jovens da Baixada têm mostrado uma forma de expressar suas temáticas e vivências nas batalhas de rimas, espécie de variação do repente nordestino – por envolver desafios, mas feito por MCs -, e no slam, que poderia ser chamado de um sarau, por ter poesia. Os dois movimentos surgiram nos Estados Unidos nos anos 1980 e chegaram ao Brasil na primeira década dos anos 2000. Na Baixada Santista há batalhas de rima em diferentes bairros e cidades. Em Santos, por exemplo, são promovidas as Batalhas da Conselheiro, do Céu (na Lagoa da Saudade, no Morro da Nova Cintra) e do QM (Quebra-Mar). No caso do Slam, existem torneios regionais, estaduais, brasileiros e a Copa do Mundo. “A maior diferença entre essas modalidades é a forma de apresentação do artista”, explica Douglas dos Anjos, do Grupo Arena ZN, produtor responsável pela parte técnica da batalha, e que encerrou o encontro de segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna. Na batalha de rimas, os artistas improvisam na hora da competição, tendo como base sonora um beat que dura o round todo. O foco é quem tem a melhor métrica, punchline (piada em português) e outras percepções que a plateia ou júri capte e traga para o julgamento. No slam, o artista declama sua poesia escrita anteriormente e o júri foca na interpretação da letra, na complexidade e sensibilidade daquela poesia. Outra característica é que o artista não duela com ninguém: ele recebe a nota pela poesia sem que os jurados tenham de escolher entre um e outro – isso é feito de forma orgânica. O Slam Arena teve três edições, sendo as duas primeiras no Instituto Arte no Dique e a terceira adaptada ao tema do A Região em Pauta. [[legacy_youtube_n55Nwk1RsTo]]