[[legacy_image_301032]] Houve avanços, mas a sociedade brasileira ainda está aprendendo a lidar com a inclusão. Esta é a avaliação do coordenador de Diversidade e Inclusão da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), Alexandre Kiyohara, que é um homem trans e disse: “A diversidade não chegou aonde tem de chegar”. O convidado de A Região em Pauta reconhece que a população está mais aberta a tratar do tema. Ele acredita que isto é fruto de uma evolução social provocada, ao menos em parte, pelo nascimento de novas gerações. “Vemos a tendência de falar pautas que não eram faladas com a importância que se deve”. Tem mais. Atualmente, as pessoas não somente debatem mais o assunto: elas também mudaram seus comportamentos, inclusive de consumo, preterindo produtos e serviços de organizações que não dão importância à causa. “Fizemos uma pesquisa. Confirmamos que podem deixar de consumir marcas por conta da (falta de) diversidade”. O referido levantamento trouxe, ainda, outros apontamentos, que foram mencionados por Kiyohara. “Quanto à percepção dos brasileiros, vimos que 85% entendem o que é diversidade. Também constatamos que sete em cada dez indivíduos deixariam de trabalhar em um lugar caso elas vissem que a empresa não se posiciona”. De acordo com o coordenador, até mesmo os investidores vestiram a camisa da inclusão. “Tenho certeza de que existe pressão do mercado. Vemos que, cada vez mais, eles estão cobrando empresas que atuam nessa área”. O coordenador afirmou que todos estes elementos mostram que, de fato, existe um rumo sendo trilhado, o que representa uma melhoria. Entretanto, ele acha que existe muito a alcançar. “Nós, da B3, sabemos que a caminhada precisa ser feita e não chegou aonde gostaria. Estamos aprendendo. Por mais que seja cansativo falar que ainda estamos aprendendo… Sim, estamos, como sociedade”, reconhece.