[[legacy_image_308361]] O bullying continua deixando marcas. Ele é, por exemplo, citado como combustível para pessoas agredidas se tornarem agressoras, chegando ao ponto de revidar com disparos em salas de aula. Em outros casos, a prática resulta em suicídios. Porém, a solução para todas as vítimas pode ser simples: conversar. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Este recurso foi apontado pelos especialistas que estiveram no nono A Região em Pauta deste ano, realizado nesta terça (31), no prédio do Grupo Tribuna, em Santos. O tema foi Educação Adolescente. A professora da Unidade Municipal de Educação (UME) Pedro II Thatiana Antunes disse que a ridicularização continuam ocorrendo, apesar das campanhas de conscientização. “É recorrente. Bonito falar que estamos fazendo ações, mas todos os dias os alunos me procuram. O problema não foi resolvido.” A manutenção deste comportamento causa prejuízos para quem é o algo das gozações. Prova disso é o escritor Marcos Martinz, que quase tirou a própria vida, aos 16 anos, por causa do que ouvia na escola. “Eu sofria muito bullying. Pegavam no meu pé por causa do meu jeito, porque eu mexia muito a mão. Na época, eu queria tomar remédio para crescer, mas, antes, eu gostava do meu reflexo no espelho. Por isso, desenvolvi depressão na adolescência. O ápice foi aos 16 anos. Eu não conseguia falar do que sentia. Então, infelizmente, tentei o suicídio”, relatou. A dificuldade que Martinz enfrentou de abrir os sentimentos é comum. Afinal, muitas vezes, nem os pais são vistos como indivíduos que podem ajudar. Para a aluna Giovanna Senna, que está no Ensino Fundamental e é vereadora da Câmara Jovem de Santos, isso se dá pelo fato de os pais não saberem conversar. “Pai tem de conversar como jovem. Conto para a (professora) Thatianna coisas que não falo para meus pais. É como se ela tivesse minha idade. Ela tem linguagem jovem.” A psicanalista e fundadora do Espaço Adolescer, entidade que atua há 20 anos com conflitos, Alessandra Mazzotta, discordou. “Pais não precisam ser amigos. Devem ser amigáveis. Pai e mãe amigáveis, antes de conversar, escutam.” No entanto, ela frisou que é preciso ter paciência. “A partir do diálogo, é trabalhar a conscientização no tempo do filho. Não adianta desespero e tentar enfiar tudo goela abaixo. Ele tem um tempo para absorver.” A juíza Renata Gusmão, que coordena o programa de Justiça Restaurativa e Educação para a Paz, também falou na importância do diálogo. Para ela, até mesmo os agressores são beneficiados ao pôr para fora o que sentem. “Falar é terapêutico quando temos escutador empático, não julgador”, salientou. Limite para a tecnologia Como não poderia deixar de ser, a tecnologia, tão presente na vida dos adolescentes, foi assunto no evento. De acordo com a aluna do Ensino Médio Isabela Costa, na escola, é perceptível que o uso excessivo do celular prejudica o convívio entre os estudantes. “A pessoa posta a vida inteira, mas não conversa com ninguém. Não tem relação. Na sala, ao invés de conversar, a pessoa fica no celular”, relatou. Por causa desse e de outros prejuízos causados pelo uso excessivo de smartphones, Alessandra Mazzotta afirmou que os pais precisam impor limites ao uso dos equipamentos. “Temos de segurar a reclamação, a cara feia. Existe o vício da internet”, frisou. A neuropsicóloga Iara Mastine deu uma sugestão para que os pais tenham mais facilidade para convencer seus filhos a diminuírem a utilização dos aparelhos. A ideia é levá-los a refletir. “Quando entendem que, sem a tela, o desenvolvimento vai ser melhor, eles são colaborativos. O segredo não é retirar o celular ou esconder. É fazer entender que, se ficar mais (tempo) no celular, vai ter perdas”, declarou. A especialista também disse que esse processo pode se tornar mais fácil se a opinião do adolescente for pedida sempre que os responsáveis terminarem sua argumentação. “Existe uma teoria, que se chama Comunicação não Violenta, que indica terminar um diálogo com pergunta, porque a pessoa que vai responder tem que assimilar”, explicou a neuropsicóloga. Sem medo Uma das únicas coisas que não devem ser feitas é agir com receio da reação dos filhos. “Se ficarmos reféns dos filhos, faremos mal para eles. É diálogo, escuta, conscientização, paciência”, salientou Alessandra Mazzotta. Fragilidade A vice-reitora do campus de Guarujá da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), Priscilla Bonini Ribeiro, disse que a tecnologia ajuda o adolescente a se isolar. “Temos dificuldade de lidar com emoções. Isso é natural quando se têm excesso de telas e falta de diálogos. Computador não tem emoção. Como o jovem conectado ao mundo virtual vai ter facilidade de lidar (com emoções)? Entra o suicídio, porque são mais frágeis.”