[[legacy_image_294138]] Os especialistas em segurança pública que participaram do fórum foram unânimes ao dizer que operações como a Escudo, que ocorre na região desde final de julho, são fundamentais para recuperar a ordem local. Entretanto, também afirmaram que isto não basta para sanar o problema do crime organizado. Para eles, essa ação deve ser seguida de políticas públicas que levem cidadania às comunidades. Para embasar seu argumento, o secretário de Segurança de Santos, Sérgio Del Bel, citou a cidade colombiana de Medellín, que, décadas atrás, ficou conhecida por causa do narcotráfico e do traficante Pablo Escobar. “Aquele lugar é semelhante a Guarujá, pois tem cidade plana e morros, onde estavam efetivamente os traficantes. Em certa época, foi o local do mundo com mais homicídios. Então, um presidente eleito (não citou qual) falou que ia fazer operação e que teria muita gente morta. Ele cumpriu com o que falou. Só que teve um detalhe, um diferencial, que fez despencar o índice criminal negativo: levaram o estado junto”, disse. Na sequência, Del Bel apontou as melhorias implementadas após a ação policial colombiana. “Não havia ligação entre cidade e morro. Assim, quem morava na parte alta não tinha direito à cidade, não tinha cidadania. Por isso, eles construíram teleféricos em tempo recorde. Em cada estação do morro, fizeram quadras de esporte, biblioteca, escolas, cinemas… Desta forma, levou-se ordem e cidadania junto”. Concordando com Del Bel, a secretária-adjunta de Defesa e Convivência Social de Guarujá, Valéria Amorim, ressaltou a importância de se levar infraestrutura e ofertar serviços para quem vive em locais mais periféricos. Ela citou um trabalho feito em sua cidade como exemplo. “Temos o Parque da Montanha, que é cercado pelo Morro do Macaco. Há décadas, aquele local foi ocupado pelo crime organizado. Agora, estamos ocupando o espaço em que, ontem, havia omissão do estado. Estamos fazendo um centro de cidadania. Quando se traz lazer, entretenimento educação para crianças, elas vão construir outra história, diferente da que conheceram”, frisou. Ela destacou, ainda, que “ordenamento é isso. É ter um comércio ordenado, porta de escola ordenada, um comércio ambulante ordenado. À medida em que o local vai se ordenando, que nós, do estado, vamos ocupando, vamos estrangulando o crime. Em questão de tempo, vamos dar àquela população muito mais dignidade e liberdade para morar”, disse. Por tudo isto, o chefe de assessoria militar da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Pedro Luis de Souza Lopes, falou que a atuação das cidades é fundamental, para que a realidade mude de fato. “O município tem papel protagonista em segurança pública. As grandes iniciativas e mais bem-sucedidas contam com algum tipo de integração municipal”, frisou.