[[legacy_image_272311]] O professor Carlos Alberto Arruda de Oliveira, da Fundação Dom Cabral, não tem a menor dúvida: a tecnologia vai aumentar a desigualdade em termos produtivos e econômicos. O docente, que atuou na elaboração do relatório para o Fórum Econômico Mundial, é direto ao fazer tal afirmação. “Não é um erro (pensar que a desigualdade vai aumentar). Isso é uma certeza. Toda transformação tecnológica gera isso”, destaca, citando mais um detalhe: “A tecnologia gera, por si só, desigualdade. Mas, as digitais vão gerar mais porque darão uma velocidade de transformação muito rápida”. Uma das consequências disto é que, como já citado em outras matérias deste caderno especial, uma parcela das pessoas que perderão seus empregos vão ficar sem trabalho e, assim, sem renda. “O crítico é que de todos os 83 milhões de pessoas que vão perder postos de trabalho, 15% não vão conseguir se requalificar, seja porque seu nível educacional não permite, seja por estarem em locais do mundo sem oferta de treinamento”. EficiênciaArruda diz que os incrementos tecnológicos vão criar uma grande distância em todo o sistema produtivo de diversas áreas. Em seu entendimento, aqueles que se utilizarem de mais ferramentas inovadoras vão ter muito mais resultados do que aqueles que não possuam estes recursos. “Quem tem e usa a tecnologia vai ser mais produtivo e eficiente”, pondera, exemplificando: “Só para fazer uma analogia, imagine o arado. Um cara (trabalha) com enxada, e o outro com tração animal. O de tração animal é mais produtivo do que aquele que usa o braço”, compara o docente. Profissionais de baixa renda ficam de ladoO cenário de aumento de desigualdade não é o único problema para pessoas de classes econômicas menos favorecidas. Outro fator que pode tirar o sono deste segmento da sociedade é que as empresas estão pouco preocupadas em contratar indivíduos de rendas mais baixas. Esta é uma postura confirmada pelo estudo do Fórum Econômico Mundial. Conforme a pesquisa, somente 33% das organizações pensam em dar oportunidades para profissionais que integram este grupo. Esta informação foi comentada pelo professor Carlos Alberto Arruda de Oliveira. “É crítico este número. Isso, no Brasil, é um crime, porque é um país de alta desigualdade”. O docente criticou esta atitude das empresas. “Elas não estão preocupadas com as desigualdades de concentração de renda”. Por fim, ele ressaltou que, atualmente, as companhias estão atentas a questões ligadas à sustentabilidade e a outros tipos de demandas. No entanto, deixam de olhar com a mesma atenção para trabalhadores mais pobres. “Existe um objetivo da (Organização das) Nações Unidas (ONU) que é redução da desigualdade. Porém, se olharmos os relatórios de empresas, poucas assumem compromissos nesta pauta. Todas assumem quanto à desigualdade de gênero, de raça, ambiental e água… Em uma sociedade com tantas desigualdades, 33% é um risco para o futuro. O que fazer com esta massa de gente no Brasil, que (chega a ficar) abaixo da pobreza?”, questionou.