[[legacy_image_251219]] O número de novos professores da educação básica está diminuindo. Além disso, a quantidade de jovens ingressantes em cursos de Licenciatura cai, enquanto sobe o total de matrículas de pessoas com mais de 40 anos. Diante deste cenário, pode ocorrer um déficit de 235 mil docentes em 2040. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Todos estes dados estão em relatório do Semesp, entidade que reúne mantenedoras e instituições responsáveis por estabelecimentos de Ensino Superior do Brasil. Os números foram apresentados no segundo painel do projeto A Região em Pauta. O tema desta parte do fórum foi Apagão de Professores: o Desafio de Atrair Jovens para a Carreira. Embora esta seja uma dificuldade geral, seus reflexos são vistos também na Baixada Santista. Aqui, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em 2019, 7.015 pessoas entraram em cursos de Licenciatura. Dois anos depois, os calouros eram 5.876. Outros números chamam atenção, principalmente quando observados separando-os por faixa etária. Em 2011, 46,1% dos primeiranistas tinham até 29 anos. Dez anos mais tarde, passaram a ser 41,3% do total, ou seja, queda de 4,8 pontos percentuais. Na contramão disso, no mesmo período, indivíduos com 40 anos ou mais foram de 21,5% a 30,9%. Portanto, esta fatia cresceu 9,4 pontos percentuais. Diante destes indicadores, a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira, admitiu que há um desinteresse do jovem em seguir a carreira de professor. “Não são atraídos”. Ela também comentou a respeito do envelhecimento do corpo docente. De acordo com o estudo, o grupo formado por pessoas com 40 anos ou mais, além de estar aumentando entre os ingressantes, também está em alta entre os formandos. Os concluintes desta faixa de idade eram 24,8% em 2011, mas passaram a ser 33,1% no fim da década. Respectivamente, os diplomados de até 29 anos eram 42,7% e 37,7%. “De fato, são atraídos os de mais idade e quem já têm uma formação, porque a lei exige. Sem a segunda formação (em Licenciatura), não se pode trabalhar na rede”, frisou Lúcia, que citou mais uma desafio. “A nova lei do Ensino Médio exige os itinerários formativos, com uma abordagem interdisciplinar, que pede que o professor tenha visão interdisciplinar. O Estado também sente falta desses docentes. Na projeção, são 17% a menos, que você não consegue preencher”, finalizou. Menos formandos Mais um dado se destaca, corroborando com a perspectiva de falta de professores no futuro. Além do já citado envelhecimento do corpo de professores, também está em queda o número de estudantes concluindo os cursos de Licenciatura. De acordo com o Inep, somente na Baixada Santista, em 2020, 2.860 alunos se formaram. Um ano depois, foram 2.585. Isso significa uma redução de 9,6%. Não bastasse isso, a evasão também “ficou alta”, segundo o documento do Semesp. O relatório indica que 33,3% dos alunos abandonaram a graduação. Portanto, um a cada três estudantes não completaram a capacitação em 2021. Incentivos financeiros ajudam, diz educadora [[legacy_image_251220]] Diante dos números e conclusões apresentados pelo relatório do Semesp, Lúcia Teixeira afirmou que é preciso “reverter este quadro, estimulando o aluno” a escolher um curso de Licenciatura. Para a educadora, uma das ações necessárias, a fim de mudar o cenário, é trazer incentivos, principalmente financeiros, para que os mais jovens queiram entrar na área. Isso porque, segundo ela, a maioria dos interessados em ser professor da educação básica, normalmente, é formada por pessoas com menor poder aquisitivo. “Eles precisam de iniciativas, como financiamento e bolsas. Precisamos fazer este aluno conseguir estudar”, afirmou. “Necessitamos dessas iniciativas, principalmente diante do cenário nacional e do internacional, que é pós-pandemia, com desastres climáticos, conflitos e guerras, que afetaram a Educação e a formação”. A presidente do Semesp declarou que estas e outras sugestões foram encaminhadas às autoridades. “Propusemos políticas públicas. Levamos a governos anteriores e ao atual uma série de ações”. Cursos a distância são os mais procurados O relatório da Semesp não apresentou apenas o movimento das faixas etárias dentro dos cursos de Licenciatura. O estudo também confirmou a preferência dos ingressantes dessas graduações entre ensinos presencial e a distância (EAD). O resultado mostrou que as capacitações online estão em alta. O documento indica que, entre 2011 e 2021, houve aumento de 25% no número de calouros na Baixada Santista. Entretanto, conforme o último dado oficial disponível, 89,1% dos novos alunos escolheram a modalidade EAD. Além disso, o total de matrículas nos cursos presenciais caiu 60% na última década. Mais um detalhe: ainda em 2021, foram registrados 12,5 mil primeiranistas. Destes, 77,5% estavam em graduações EAD. “Isso reflete uma tendência nacional pelo ensino a distância, que foi acelerada com a pandemia”, explicou Lúcia Teixeira, a presidente da Semesp e também da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Apesar do cenário, a educadora não viu o movimento como negativo. Mesmo assim, fez uma ressalva. “Isso é ruim? Não necessariamente. Depende da qualidade dos cursos e das oportunidades práticas de estágio e de uma série de situações, que o ensino, presencial ou EAD, exige”.