[[legacy_image_270975]] O Brasil já perde talentos em áreas tecnológicas para outros países, e esse movimento não deve mudar no curto prazo. Esta foi a avaliação de especialistas presentes no quarto encontro do ano do projeto A Região em Pauta. O evento ocorreu ontem, no auditório do Grupo Tribuna. Desta vez, o seminário teve como tema O Futuro do Emprego na Região. No primeiro painel, foi unânime que as inovações, como a inteligência artificial, impactam o mercado de trabalho, extinguindo funções, mas criando outras. Neste processo, há demanda internacional crescente por profissionais atualizados. E, dessa forma, o Brasil vê escaparem seus melhores profissionais. “O País vai ser uma fonte de talentos para o mundo, como é a Índia. Mas vamos perdê-los para os Estados Unidos, Canadá, Portugal e países da Europa central, que recrutam esses jovens. Os melhores alunos vão ser seduzidos”, disse o professor Carlos Alberto Arruda de Oliveira, da Fundação Dom Cabral, que embasou sua opinião em dados de um estudo internacional do Fórum Econômico Mundial. O docente foi o responsável pela análise brasileira desse relatórios. Engana-se quem pensa que o cenário trazido por Arruda é somente uma projeção. Na verdade, já existe, como confirmou Fábio Sartori, especialista em Gestão de Pessoas e pós-graduado em Planejamento Estratégico e Educador Executivo. Ele está há 13 anos à frente do Grupo Sartori, que atende empresas de ponta em recrutamento e seleção de profissionais, treinamento, desenvolvimento e pesquisa de clima organizacional. “Já foram 12 pessoas colocadas pelo Grupo Sartori em outros países. Clientes daqui, com escritórios em Boston, Orlando e Miami (nos Estados Unidos), levaram contratados. Temos case (exemplo) sobre isto, e acredito que é uma tendência isso ser intensificado, principalmente na área de tecnologia”, declarou o especialista. De acordo com o recrutador, diante da valorização, estes profissionais se tornam exigentes. “Se falar que a vaga é 100% presencial, você terá dificuldade de contratar os melhores. Eles não pretendem voltar nem para o (trabalho) híbrido. E , obviamente, a preferência é por vagas que paguem em dólar.” Integrante do segundo painel do evento, o deputado federal Alberto Mourão (MDB) apontou o que, em sua opinião, contribuiu para o quadro. “Este país investiu em pesquisa? Incrementou? Nós batemos palmas para quem liquidou a pesquisa. Aí, perdemos para o exterior o pouco que formamos, porque não priorizamos pesquisa.” Vagas fechadasO debate não girou em torno, somente, da saída de profissionais do Brasil. Outro tema discutido foi a interferência da tecnologia na geração e no fechamento de postos de trabalho. Segundo o já mencionado estudo do Fórum Econômico, que é sediado em Davos, na Suíça, até 2027, 69 milhões de empregos devem ser criados, boa parte voltada à tecnologia e ao meio ambiente, e 83 milhões deixarão de existir. Portanto, haverá um déficit de 14 milhões de empregos. Contudo, esta não é a única preocupação. Outra é que muitos dos trabalhadores que perderão seus trabalhos não conseguirão se recolocar no mercado. “Um percentual da população vai ficar desempregado e sem oportunidade de emprego. (De acordo com o relatório) Quinze por cento dos 83 milhões não vão ter oportunidade de qualificação. Estarão desqualificados. Serão necessárias políticas públicas para tentar minimizar este efeito negativo”, disse Arruda. Os convidados disseram que essa situação pode ser minimizada com melhor formação. Entretanto, é um desafio, como colocou o diretor-executivo da Associação Comercial de Santos, Adalto Corrêa, que também foi professor universitário. “Vivi mais de 30 anos na faculdade. Sinto que a universidade está acordando para o assunto, mas tem dificuldade de reação, pois ela ainda é muito focada no passado. Ela sofre com um modelo conteudista. A universidade investe pouco na qualificação do professor para o novo desafio. É um gargalo no Brasil”, considera Corrêa.