[[legacy_image_278331]] Enquanto a preservação do meio ambiente não for tão lucrativa quanto a criação de novos edifícios, as cidades vão ter cada vez mais torres altas no lugar de árvores. Esta é a opinião da bióloga Mariana Veras, pesquisadora do Laboratório de Patologia Ambiental e Experimental do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP. Para ela, o modelo atual de compensação ambiental é insustentável. A especialista explicou seu posicionamento. Mariana entende que a questão central é que o valor pago por construtoras, para ocupar um local preservado, é muito baixo se comparado com ao que recebem por cada imóvel criado e comercializado. Assim, estimula-se, em vez de inibir, o surgimento de novos edifícios, independentemente do impacto que isso vai gerar. “São R\$ 300,00 (pagos) para cada hectare de floresta em pé. Só no Brooklin, em São Paulo, no metro quadrado, paga-se R\$ 18 mil. Não faz sentido, porque o empreendimento, que vende o metro quadrado por este preço, vai pagar de compensação ambiental R\$ 300,00 por ano por hectare. A conta está falha”, disse. A bióloga continuou: “Os mesmos R\$ 18 mil deveriam ser pagos em compensação, porque, aí, quem tem área em pé jamais vai mexer nela. Do contrário, é mais fácil vender a área. Faz loteamento, vende e lucra”. Diante disso, a pesquisadora afirmou que “alguém tem de lucrar preservando. Enquanto preservar não der o mesmo lucro de construir, o nosso destino é fadado ao fracasso”. Questionada se acha que esta situação, em algum momento, vai mudar, Mariana disse que sim. Entretanto, a especialista acha que existe uma condição para isto acontecer. “A hora que começar a faltar água e comida, aí vamos perceber a urgência. Aí, a floresta em pé vai valer muito. Ainda não passamos necessidade. Vemos episódios, como as tragédias (naturais), que sensibilizam naquele momento e acabou. Quando isso se tornar recorrente, com muito mais pessoas (atingidas), vamos aprender a dar valor ao meio ambiente”, disparou. Por fim, a bióloga declarou acreditar que a natureza vai se recuperar das muitas intervenções provocadas pela humanidade. “Ela vai se recuperar de alguma forma. A gente precisa dela. Ela, definitivamente, não precisa da gente”. Plano DiretorA revisão do Plano Diretor de São Paulo, a capital do Estado, foi assunto no segundo painel do fórum A Região em Pauta. Quem levantou o tema, foi o coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis, Igor Pantoja. Ele criticou as novas diretrizes aprovadas pelos vereadores paulistanos. “(O Plano) vai contra o que estamos vendo aqui (no seminário). Estamos falando de construção massiva de edifícios, de mudanças climáticas e os efeitos em relação ao mar e à poluição. Mas, tivemos, infelizmente, esta aprovação, apesar de resistências da sociedade civil, mostrando que a política urbana na maior metrópole da América Latina está voltada, diretamente, para o setor imobiliário e não, necessariamente, para o que a cidade precisa e muito menos para a questão das mudanças climáticas”, lamentou. [[legacy_image_278332]] O documento em questão prevê, entre outras coisas, a construção de prédios altos perto do metrô. Além disso, os empreendimentos poderão ter até nove vezes o tamanho do terreno em que serão erguidos. Diante disso, Pantoja falou que a capital deu um “exemplo bastante negativo”. Ele disse torcer para que as cidades da Baixada sigam um caminho diferente do escolhido por São Paulo. “Espero que os municípios sejam mais sensíveis”.