[[legacy_image_278337]] O professor Ronaldo Christofoletti, coordenador do Instituto do Mar, da Unifesp Baixada Santista, disse que o Brasil não precisa fazer novos planejamentos, mas concentrar seus esforços em colocar em prática as metas do Acordo de Paris. O docente entende que cumprir os compromissos é essencial para o país. O tratado internacional foi adotado em 2015, durante Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). “Planejamento já existe: é o Acordo de Paris, que o Brasil assinou. As metas estão lá. Agora, a pergunta é outra: o que precisamos fazer para cumprir a meta acordada e assinada, não deixando para o outro (futuro governante) resolver?”, questionou. Entre os objetivos da resolução está combater mudanças no clima, bem como limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. Também está previsto que as nações lutem para que a elevação da temperatura seja de 1,5°C. Como parte do acordo, os países signatários têm de adotar ações que reduzam a emissão de gases do efeito estufa. Neste sentido, o Brasil se comprometeu a diminuir, até 2025, a liberação dos gases em 37%. O percentual deve subir para 43% até 2030. Existem medidas previstas para que a nação atinja os índices desejados. Algumas delas são: reduzir o desmatamento, trabalhar pelo reflorestamento, aumentar a eficiência energética e elevar em 18% o uso de bioenergias sustentáveis na matriz energética até 2030. Apesar de ainda existir tempo para que o país chegue aos patamares definidos, Christofoletti pediu celeridade aos governantes. “Necessitamos de mudança para um desenvolvimento sustentável muito mais claro. Descarbonização, cidades adaptadas… O retorno disso para sociedade vai levar de 20 a 30 anos para aparecer. E o que faremos nestes anos? Tenho de adaptar agora, neste momento, nestas ações: arborização, diminuir frota de veículos a diesel… estas são ações imediatas”. ‘Batata quente’ é de todos os poderesO professor Ronaldo Christofoletti criticou o que chamou de “batata quente” no poder público. Ele disse que, quando o assunto é clima, líderes dos diferentes níveis do poder costumam empurrar a responsabilidade uns para os outros. O especialista entende que tal postura precisa mudar urgentemente. “Nós necessitamos de políticas claras, que sejam alinhadas entre município, estado e governo federal. É comum que a não efetividade ocorra por conta de a cidade dizer que é responsabilidade do estado, que diz que é do governo federal, que joga para o município. Um joga para o outro”, reforçou. O docente pediu que todas as autoridades pensem além das eleições, deixando de lado seus interesses pessoais. “É preciso que os planos saiam do papel e que cheguemos em ações. Para isso, temos outro desafio: a política, no Brasil, é feita de quatro em quatro anos. Só que algumas ações demandam respostas de médio e longo prazo, e nenhum governo quer fazer. ‘Por que vou investir em algo que vai demorar dez anos para dar retorno, sendo que, daqui a 10 anos, não vou ter mais voto?’”.