[[legacy_image_263288]] Pessoas vivendo nas ruas existem desde que os grandes centros urbanos passaram a ser o destino de centenas de milhares de migrantes, que esvaziavam o campo ou desciam dos rincões do Brasil em busca de emprego e vida digna. Os grandes centros não deram conta de acolher a todos e boa parte desse contingente foi sendo expulsa paulatinamente do sistema. Primeiro, para sub-habitações, cortiços e favelas. Depois, para debaixo dos viadutos e marquises. E agora eles estão por todos os lados. (confira o vídeo mais abaixo) Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A pandemia ceifou empregos, fez crescer o abismo social e tirou receita de famílias inteiras que, sem saída, só tiveram as ruas como destino. Junte-se a esse caldo a oferta de drogas e álcool, os distúrbios mentais decorrentes desse consumo e está feita a receita que transforma ruas, praças, avenidas e calçadas em uma grande cidade paralela, onde todas as tarefas domésticas são feitas ao ar livre, aos olhos dos moradores da cidade oficial, que se espanta e se aborrece com os transtornos gerados com a presença dessas pessoas. Não é tarefa fácil resolver os conflitos, tampouco dar destino digno a centenas de milhares de pessoas, com todas as suas necessidades e demandas. Mas quando não se tem a resposta, o melhor caminho é ouvir. Ouvir quem? Ouvir quem importa. Nesse caso, importa ouvir quem vive ou já viveu nas ruas, quem convive com essas pessoas, quem estuda seu comportamento, quem cuida e entende. Importa também ouvir quem da sociedade tenha em sua fala qualquer sugestão que não seja higienista, porque não faltam defensores de medidas nada republicanas como despachar todos eles para o campo, devolvê-los a suas cidades de origem a força, levá-los para longe das vistas, eliminá-los. Moradores em situação de rua são, como todos da cidade oficial, pessoas, seres humanos que um dia tiveram casa, um dia trabalharam, um dia foram saudáveis e produtivos. A maioria, pelo menos. Então, qualquer ação ou intenção que tenha como propósito diminuí-los de sua condição humana deve ser descartada. O fórum A Região em Pauta de segunda-feira (24) apontou o tamanho do desafio, sim, mas também deu pistas de caminhos que podem atenuar esse drama. Se diversas são as razões que levam as pessoas a morar na rua, imagina-se que solucionando a causa original pode-se chegar ao caminho do resgate. Alguns precisam de tratamento médico, outros precisam de emprego, outros querem voltar para casa e reatar as relações familiares. E outros não vão sair das ruas por opção, por tempo decorrido nessa vida ou qualquer outro motivo. O rigor e a lei também devem ser usados quando necessário, porque dentro desse público também há contraventores, procurados pela Justiça e até criminosos. A cidade paralela também precisa de regras. Mas também de empatia e humanidade. [[legacy_youtube_KgJC8e-GPGI]]