Plano de ação climática no Estado de SP deve ser concluído em agosto

Especialistas destacam a necessidade de reduzir os impactos de um clima que já está mudando

Por: Redação  -  05/06/22  -  19:30
Evento teve dois painéis mediados pela jornalista Arminda Augusto, gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna
Evento teve dois painéis mediados pela jornalista Arminda Augusto, gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Projetar um futuro ambiental que se aproxima com a velocidade e a força de uma onda em uma forte ressaca. Enquanto isso, resiliência e mitigação vão ser mais do que necessárias para que seja possível seguir enfrentando as alterações de um clima que se distancia cada vez mais do passado.


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O novo encontro do projeto A Região em Pauta, realizado no auditório do Grupo Tribuna, em Santos, na última segunda-feira, deixou todos com vontade de arregaçar as mangas, após acompanharem o tema Mudanças Climáticas e a Baixada Santista.


Com mediação da jornalista Arminda Augusto, gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, o evento reuniu especialistas, autoridades e o público geral, todos interessados nesse que vem se tornando um dos temas mais urgentes do momento.


O destaque foi a apresentação do estudo ligado ao clima na Baixada Santista para os próximos anos, detalhado pelo pesquisador Pedro Camarinha, especialista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).


“Quando a gente tem a oportunidade de desenvolver trabalhos como esse e, principalmente, vinculado a outras partes do desenvolvimento da ciência, de planificações, como foi o caso de Santos e região, é muito interessante e dá oportunidade de a gente antecipar um cenário mais crítico e, assim, conseguir ter um ambiente mais sustentável”, afirma.


O Governo do Estado, junto com outros organismos internacionais, foi o responsável pelo estudo e está convidando a sociedade para discutir um plano de ação climática para o Estado, que estará pronto até o final de agosto. O Governo de São Paulo aderiu, há quase um ano, às campanhas da ONU chamadas Race to Zero (Corrida para o Zero, referindo-se à condição de carbono zero até 2050) e Race to Resilience (Corrida para a Resiliência, um título mais autoexplicativo). Ambas são metas perseguidas.


“A Baixada Santista foi a escolhida (para o estudo) porque a gente sabe das ressacas, dos desmoronamentos e de uma série de problemas estratégicos ligados a essas mudanças climáticas e que acompanhamos há muito tempo. E existe uma grande vantagem da Baixada em relação às demais regiões de São Paulo: a sua organização entre os prefeitos”, afirma Eduardo Trani, secretário-adjunto de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado.


A cidade de Santos, inclusive, possui um Plano de Ação Climática com objetivos e metas. “Santos é pioneira, foi pioneira até o momento e a gente quer neste período, ao longo deste tempo, demonstrar os resultados”, projeta Marcos Libório, secretário municipal de Meio Ambiente.


“Estou muito feliz de ver que o nosso estudo vai entregar à sociedade um primeiro plano justamente de adaptação e resiliência para a Baixada Santista. O programa de municípios resilientes, com a experiência da Baixada, somado ao Plano de Ação Climática feito pelo município e que é excelente, fará com que tenhamos um grande laboratório na região para pensar políticas de mitigação”, diz Trani.


Oceanos e crianças
Nadar contra a maré do aquecimento global também passa diretamente pelos oceanos, que sofrem com lixo e a alteração da temperatura da água, espantando seus habitantes mais ilustres: os peixes.


“Cada um vai ter que ajudar a carregar esse peso daqui a pouquinho. Temos que aprender com os erros do passado e tentar corrigi-los para construir um futuro diferente e isso passa por sentar juntos todos os setores da sociedade: Poder Público, universidade, comunicadores, tomadores de decisão e a sociedade civil”, afirma Ronaldo Christofoletti, professor e pesquisador do campus Baixada Santista da Unifesp, além de representante da Unesco na América Latina para a Década do Oceano. “Há uma votação recente em urgência na Câmara que prevê que 10% de praias de todo o País podem ser privatizadas. Será que é isso que precisamos nesse momento? Precisamos ter um caminho contrário e recuperar”.


O planejamento, lembra Eduardo Trani, está sendo para as crianças que ainda vão nascer. “No ano de 2100, minha neta, que nasce em outubro, estará com 78 anos. É nossa obrigação construir políticas concretas para quem está chegando”, projeta. “E esse futuro melhor também é para nós, que pretendemos viver bastante tempo, mas principalmente por filhos e netos, que a gente ama e quer que tenham uma vida saudável e segura em lugares onde o clima pode ser medido”, disse a jornalista Sônia Bridi, da Rede Globo, que enviou um vídeo para ser exibido no evento.


Atitudes que parecem pequenas, mas são gigantes

Sentar em uma cadeira na praia e relaxar sob o sol e a brisa do mar podem ser um programa relaxante e, ao mesmo tempo, reflexivo.


Tanto que o conceito de mudança climática foi definido a partir deste cenário por Angélica Rotondaro, diretora-executiva da Alimi Impact Ventures, consultoria focada em trazer escalabilidade para o investimento sustentável no Brasil, e do Climate Smart Institute. “É como colocar a cadeirinha na praia: a maré sobe e você coloca a cadeirinha um pouquinho para trás. E vai indo. Quando você vê, já aconteceu”.


A analogia foi feita por Angélica quando ela contava o que fazia no cotidiano para ajudar a mudar o comportamento das pessoas com relação ao meio ambiente, ao clima e à sustentabilidade, que engloba tudo isso.


“Um outro exemplo que eu acho bastante claro é o das sacolas plásticas, ainda permitidas livremente aqui. Morei anteriormente em Indaiatuba (cidade no Interior de São Paulo, na região de Campinas) e, quando eu ia ao supermercado, saía todo mundo correndo porque eu era a chata que tirava tudo da sacola”, relembra.


Lixo e meios de transporte
Atualmente, Angélica mora em Guarujá e fica impressionada com a quantidade de lixo que encontra no final do dia, em uma caminhada na Praia de Pitangueiras, que chama de “turismo no lixo”.


“Não importa o dia da semana. Se é domingo e teve turismo, pior. Eu não acredito que a pessoa vai embora e larga o lixinho dela para trás, como vejo muitas bitucas de cigarro. Fico chocada”, conta.


Outras atitudes que podem ser feitas por cada pessoa, envolvendo meios de transporte e que ajudam o clima no dia a dia, foram citadas por Angélica. “Por que eu vou de carro em uma distância curta? Por que eu não posso pegar a minha bicicleta? É algo que dá para começar a fazer. Já uma colega me disse que não poderia mais pegar avião naquele ano porque já tinha atingido o nível dela de gás de efeito estufa. Ela falou que não ia mais e que poderia ser virtual. Ou seja, sempre tem (modos) e, claro, é identificar onde são e quais os processos que a gente pode estar influenciando”, exemplifica a diretora-executiva da Alimi Impact Ventures e do Climate Smart Institute.


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