Segurança da Mulher foi debatida no último fórum A Região em Pauta, realizado na segunda-feira no auditório do Grupo Tribuna (Alexsander Ferraz/AT) Eles têm dominado os noticiários, as redes sociais e o cotidiano de diversas famílias. Os casos de violência contra as mulheres escalaram em níveis alarmantes, com o aumento nas ocorrências dos feminicídios - só em Praia Grande, no mês de março, foram cinco casos, por exemplo. O tema foi abordado, de forma inédita, na segunda edição deste ano do projeto A Região em Pauta, na última segunda-feira. Autoridades, especialistas e vítimas relataram suas vivências e trocaram experiências diante de um problema que mobiliza a sociedade e que clama por ações. “Não podemos normalizar, achar que ‘faz parte’. Nenhuma mulher merece viver numa relação abusiva, com falta de respeito”, explica a presidente do Conselho Municipal da Mulher (Commulher) de Santos, Diná Oliveira. A presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica da OAB Santos e presidente da Mulheres S/A, Tatiana Riesco, vai na mesma linha. “Reconhecer os sinais é importante, um papel de toda a sociedade. A violência doméstica não pode ser tratada como algo íntimo, porque senão vira algo privado”, aponta. Comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar em Santos, a capitã Fúlvia Guisini relata situações vividas todos os dias, no contato com as vítimas de violência. “Muitas vezes, ela acha que, se denunciar, vai ter que sair da casa. Porque o agressor fala o tempo todo que a casa é dele e que vai colocá-la para fora. Ela não sabe os direitos que tem”, constata. Já a juíza de Direito em Santos e coordenadora do Núcleo de Justiça Restaurativa, Renata Gusmão, defende a melhoria nas medidas protetivas - mas não apenas isso. “É preciso ampliar a tornozeleira eletrônica, a rede de apoio à mulher e seu fortalecimento, para que saiba tudo a que tem direito”. PODER PÚBLICO A secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos de Santos, Nina Barbosa, defende a presença do poder público de forma transversal, com a participação de várias pastas trabalhando de forma integrada. “Nós vivemos uma epidemia, uma escalada de violência doméstica. A mulher precisa de autonomia para entrar num ciclo de violência ou para conseguir sair dele. E, para isso, precisamos de um trabalho transversal”, defende. Já a deputada estadual Solange Freitas (União) destaca iniciativas, como um boletim de ocorrência integrado, com formalização do crime feita imediatamente pela PM já no primeiro atendimento da ocorrência. “É uma opção para a mulher não ter que ir para a delegacia, para ela não ter que se deslocar e talvez ser mal atendida”, relata.