[[legacy_image_220205]] O uso do automóvel em qualquer cidade do mundo tem de ser feito de maneira mais moderada. Dentro desse raciocínio, impor restrições em determinados locais e tornar as ruas um espaço mais equitativo para pedestres, ciclistas, transporte público e o carro são providências necessárias. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Por que o ônibus atrasa? Não é porque o prefeito, o secretário ou o dono da empresa querem. É que ele para no engarrafamento. Se a gente tira o ônibus do engarrafamento, dando a ele faixas exclusivas, ele vai ser muito mais confiável e muito mais gente vai querer usá-lo”, argumenta Sergio Avelleda, professor do Insper, ex-presidente do Metrô SP e ex-secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo. Gerenciar o uso de veículos particulares é um ponto polêmico, mas vem acontecendo ao redor do mundo. Em Londres, capital da Inglaterra, se a pessoa quiser entrar de carro no centro da cidade vai precisar pagar 29 libras, algo em torno de R\$ 200,00. Em Nova Iorque, nos Estados Unidos, começa neste ano a cobrança de US\$ 10,00 para o automóvel entrar na Ilha de Manhattan. “O dinheiro servirá para reformar e modernizar o metrô. Eles precisam de US\$ 80 bilhões para isso”, completa Avelleda. O professor do Insper também lembra do rodízio em São Paulo como medida de gerenciamento da utilização do automóvel. E defende a cobrança de estacionamento em qualquer local por um motivo muito simples. “A rua é um bem de uso comum. Se eu estaciono o meu automóvel, eu me aproprio desse bem e ninguém mais pode usar aquele espaço. Isso nunca deveria ser gratuito. Isso sempre deveria ser cobrado”. AplicativoO transporte por aplicativo é defendido por Sergio Avelleda, desde que devidamente regulado em cada cidade. “Ajudou muito a diminuir os engarrafamentos, fazendo com que as pessoas passassem a deixar o carro de lado. No entanto, quando explodiu a oferta do aplicativo passou a ter muito carro rodando vazio esperando. Então passamos a ter mais emissões de poluentes e mais congestionamento”, comenta. O professor do Insper alega de que se trata de serviço privado, mas que afeta o interesse público. “Não é justo que a Prefeitura pegue o imposto do contribuinte e faça o asfalto para que ganhe dinheiro em cima disso. Se está usando a rua, deve pagar por isso. É correto que as cidades regulem essa atividade. Não com a perspectiva de impedir, alijar ou policiar, mas para dar equilíbrio”. Em São Paulo, conta Avelleda, há acréscimos nas renovações para empresas de aplicativos com muitos carros e descontos em caso de mulheres no volante, por se envolverem bem menos do que os homens em acidentes de trânsito e de modo a incentivar a empregabilidade delas. [[legacy_image_220206]] Custo socialO transporte coletivo recebe subsídio. É como o Poder Público complementar os custos de prestação dos serviços com recursos além dos obtidos pela tarifa. No entanto, a mobilidade urbana tem custo social. “Esses gastos não são contabilizados em uma rubrica orçamentária. Eles estão dispersos. Dá a impressão que não se gasta nada, mas uma revista canadense publicou um estudo que mostra bem isso”, explica Sergio Avelleda, ex-secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo. De acordo com a publicação, se a pessoa foi a pé para um lugar e gastou um dólar, seja com um tênis, protetor solar, boné ou guarda-chuva, a cidade pagou um centavo de dólar para manutenção da calçada e dos semáforos. Caso a preferência tenha sido a bicicleta e a importância dispendida a mesma com o próprio veículo, o capacete, a luva ou o protetor, o município gastou 15 centavos de dólar para fazer, por exemplo, a manutenção da ciclovia. Se a opção foi usar o transporte público e o valor gasto foi de um dólar, para a cidade custou 1 dólar e 50 centavos. Afinal, tem que pagar o subsídio, a manutenção, as vias e o ônibus. No caso de o carro ter sido utilizado como condução, o susto: um dólar dispendido custa 9,20 para o orçamento público. “Ou seja, nós estamos contribuindo, subsidiando o uso do automóvel e cobrando do usuário do transporte público. Em São Paulo, o seu José precisar gastar R\$ 8,80 para sair de Guaianases e vir para o Centro trabalhar. Ida e volta. Quem estiver andando de carro na cidade de São Paulo não paga nada”, compara. Avelleda revelou que contou esta história para um prefeito que, de imediato, respondeu que o carro pagava IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor). “Falei que ele tinha me dado uma ideia ótima, pois pago IPTU e, por isso, vou querer internet, luz, água e gás de graça. Se a lógica é essa, por que tenho que pagar pela infraestrutura para usar um bem sobre o qual já pago imposto?”, argumenta.