O número de mortes no trânsito na Baixada Santista cresceu 1,5% no primeiro semestre deste ano, de 136 para 138, na comparação com janeiro a junho de 2025. É um contraste com o índice estadual, que caiu 5,9% no período (de 3.051 para 2.871). Uma das preocupações é com motociclistas, cujo total de óbitos cresceu 16,1% no período (de 56 para 65), ante queda de 1,1% em âmbito estadual (de 1.345 para 1.330). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados do Infosiga, apresentados pelo presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, Paulo Guimarães, abriram mais uma edição do fórum A Região em Pauta, na tarde desta segunda-feira (31), na sede do Grupo Tribuna. Um caderno, na edição de domingo (6), ampliará o debate. Conforme Gonçalves, quando se observa a predominância de motociclistas entre as vítimas fatais, se expõe uma questão da Baixada: a utilização de motos para trabalho e lazer em um ambiente de trânsito com grande incidência de caminhões, por causa do Porto de Santos. “Existe essa grande demanda de veículos pesados. Mas, dentro de um arranjo regional, é preciso buscar soluções”, aponta o presidente. De 138 vítimas fatais, 65 (47,8%) foram motociclistas; 38, pedestres, 21, ciclistas, 13, ocupantes de automóveis, e uma, não indicada. Outro dado do Observatório: em 2022, o País teve mais mortes no trânsito (33.426) do que por armas de fogo (33.227). “Grande parte da solução para esse problema está na responsabilidade compartilhada. Poder Público, sociedade civil e a iniciativa privada devem entender que fazem parte do problema, mas também da solução.” O diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), José Montal, trouxe outro número: segundo ele, 62% dos leitos de hospitais são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito. “A informação é a melhor vacina para você combater essa doença chamada sinistro de trânsito. Ela é muito invisibilizada, talvez fruto do amor que temos pelo automóvel. Por isso, somos um tanto lenientes no combate a esse problema”, aponta. Números são do Infosiga, sistema estadual de estatísticas de trânsito (Sílvio Luiz/AT) Legislação Outro ponto destacado como problemático é a falta de punição aos crimes de trânsito, ainda que haja legislação sobre o tema. “Quando você traz a sociedade para debates como esses, mostra a realidade e a dificuldade que os órgãos de trânsito têm para fiscalizar e impor a penalidade de trânsito, fazendo com que efetivamente seja cumprida. Muitas pessoas que têm a carteira suspensa seguem dirigindo, por conta da sensação de impunidade”, acredita o assessor jurídico da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, Marco Vieira. Ele também tratou dos autopropelidos, veículos que podem chegar a até 32 km/h e que têm dividido espaço em ciclovias e ruas com outros atores do trânsito. “Esse tipo de veículo vai ser classificado pela lei. Aí, sim, poderá ser exigida rigidez dos órgãos fiscalizadores.” Educação O presidente do Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo (Cetran-SP), Frederico Pierotti Arantes, cita a criação de um grupo de trabalho que visa à inserção da Educação de Trânsito na base curricular estadual. “Será um grande ganho para a sociedade, porque vai além do conhecimento da educação de trânsito, mas ao encontro de civilidade, empatia e convivência entre todos em sociedade.” A coordenadora de Planejamento Operacional da Ecovias Imigrantes,Ghislaine Testoni, também participou do debate. “Nós estudamos o que se pode fazer para reduzir esse potencial risco no trecho (rodoviário), da implantação de equipamentos de fiscalização até uma ação educativa.”