IBGE confirma que, nos últimos 12 anos, a 3ª idade foi o grupo que mais cresceu no Brasil (FreePik) A participação de pessoas com mais de 60 anos, no mercado de trabalho, foi a que mais cresceu nos últimos 12 anos. O aumento foi superior a 60%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão também informou que oito milhões de indivíduos deste público estavam ocupadas no segundo trimestre deste ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Este número chama atenção por conta do que foi registrado em 2012. Naquele ano, havia 4,9 milhões de profissionais da chamada melhor idade. Assim, a diferença foi de 3,1 milhões de vagas criadas e preenchidas em 2024. Portanto, o crescimento foi de, exatamente, 63,2%. Conforme o IBGE, nenhum outro grupo alcançou resultado semelhante. Na faixa dos 40 a 59 anos, a elevação foi de 29%. Entre aqueles que tinham de 25 a 39, a alta foi de 7%. Por sua vez, o grupo composto por indivíduos de 18 a 2 registrou queda de 9%. Além disso, muitos destes colaboradores têm carteira assinada. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2022, concluiu que o País conta com 3,04 milhões de trabalhadores formais com mais de 60 anos. E mais: a pasta constatou que este patamar representa 5,8% do total de profissionais registrados. Em 2012, eram 3,29%. Breve análise Ao comentar sobre a maior presença da população 60+ no mercado de trabalho, Mórris Litvak, criador e diretor-executivo (CEO) da empresa Maturi Jovens, plataforma que conecta trabalhadores com mais de 50 anos a oportunidades profissionais, admitiu: “As empresas estão mais abertas” a contratar indivíduos deste público. Entretanto, ainda há um longo caminho a percorrer, bem como obstáculos a superar. “As organizações tinham e ainda têm muito preconceito com relação à idade. A maior parte das pessoas com mais de 60 anos trabalha como autônomo, empreendedor ou sem registro. Então, o mercado ainda é desafiador por causa do idadismo ou etarismo, algo a mudar em nossa cultura, que é recheada de estereótipos”. Aprender a trabalhar com tecnologia é uma das adaptações que são necessárias (FreePik) Oferta de vagas Mórris Litvak disse que, com o passar do tempo, a oferta de vagas melhorou, não apenas em quantidade, mas também em termos de nível. Agora, há mais cargos de gerência, algo raro em anos anteriores. Ele também citou quais são os tipos de empresas que mais abrem postos de trabalho para idosos. “Vemos muitos varejistas, grupos de supermercados e farmácias. Aliás, muitos do segmento farmacêutico contratam. Estas organizações, que oferecem produtos e serviços a pessoas mais velhas, também olham para força de trabalho mais madura, a fim de entender e atender melhor este consumidor. É a chamada economia prateada”, afirmou. Ressaltando que “grandes empresas e multinacionais estão mais abertas para a diversidade etária”, o executivo salientou que, hoje, o mercado traz mais variedade de cargos. “Percebemos melhora no tipo de vaga que tem sido oferecida no nosso site. No início, eram postos mais operacionais. Ainda existem, mas também há mais vagas em gerência. Tem um pouco de tudo”. Ajuste de visão Evidentemente, este cenário confirma uma mudança. Contudo, ainda há um aspecto a ser ajustado: algumas empresas veem a admissão de idosos como um favor e não como um reforço para suas equipes. “Sim, existem companhias que acham isso: ‘Posso pagar pouco e ter vagas menos valorizadas, porque estou ajudando os mais velhos’. Nós avisamos que não é assim. As pessoas têm o que agregar e ajudar. Esta visão precisa ser revista”, reforçou, mencionando benefícios de se abrir espaço para os mais maduros. “Temos dados que mostram que, com eles, diminui rotatividade e absenteísmo, além de melhorar clima, criatividade e produtividade”, citou. Idosos ganham as faculdades Cada vez mais idosos entram em universidades. O objetivo deste público é buscar conhecimento ou, até mesmo, iniciar uma nova carreira. Ao comentar o interesse da terceira idade por cursos superiores, Mórris Litvak foi claro ao dizer que ver estes indivíduos nas cadeiras das faculdades deixou de ser um fato raro. “Temos visto crescer, ano a ano, nas universidades, pessoas com 40, 50 ou 60 anos. Este é um movimento cada vez mais comum”, avisou o criador e diretor-executivo da empresa Maturi Jovens. Isto se dá pelo fato de indivíduos 60+ estarem à procura de atividades que lhes sejam prazerosas. “Não é falar para o idoso: ‘Senta aqui e faz palavra cruzada, porque é bom para a memória’. Nem todos gostam disso, assim como nem todo mundo quer cuidar do neto. Às vezes, quero aprender sobre anatomia. Conseguir entrar na universidade, para fazer curso aberto, é uma oportunidade”, disse Giulianna. Por fim, a médica lembrou que uma opção para quem quiser estudar é entrar na Universidade Aberta à Terceira Idade, da Unoeste. Trata-se de um curso que ajuda na socialização e educação, trazendo temas como redes sociais, psicologia positiva e noções de direito, além de atividades físicas. Adaptar para seguir atuando Para conseguir uma oportunidade, o idoso deve saber se adaptar. Ele terá de desenvolver novas habilidades, como utilizar a tecnologia, mas também precisa compreender que o tempo promove mudanças – e não se pode lutar contra elas. Somente com este entendimento, será possível disputar vagas no mercado. Ao falar sobre o tema, Mórris Litvak disse que as empresas buscam profissionais qualificados, independentemente da idade dos possíveis colaboradores. “A gente necessita estar capacitado e mostrar que, com o nível de experiência, junto com atualização técnica e comportamental atual, há muito a agregar. Não é chegar à entrevista e pedir pelo amor de Deus para ser contratado. Vou demonstrar como posso ajudar, contribuir”. Ainda sobre expor as qualidades profissionais, o executivo da Maturi Jovens defendeu que o público da terceira idade deve aprender a usar as redes sociais. “Preciso mostrar meu conhecimento, inclusive em redes, como o Instagram. É compartilhar o conhecimento, a fim de que as pessoas entendam que conheço aquele assunto, para, eventualmente, se interessarem pelos meus serviços”. Só que o lado técnico não é o único que precisa de atenção. Também é obrigatório saber lidar com as alterações físicas. “A grande dificuldade é esta: nosso corpo tem uma idade, mas a cabeça, outra. Necessitamos entender que nós envelhecemos, e isso traz mudanças. Se souber se adaptar e entender que determinadas coisas não serão iguais, a gente continua sendo produtivo. O que vejo é grau de sofrimento quando se começa a querer produzir o que o jovem produz. Querer dar o mesmo gás de quando tinha 30 anos não vai ser possível”, disse a médica geriatra e professora do Campus Guarujá da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) Giulianna Forte. Além disso, a especialista asseverou que há quem desista de trabalhar por causa de dificuldades. “Às vezes, não vou trabalhar se estiver de bengala ou usando andador. Isso, nós precisamos ajustar. Alguns têm esta resistência, que gera sofrimento”, finalizou.