[[legacy_image_272308]] O emprego e as relações profissionais estão mudando muito rápido, graças às constantes inovações tecnológicas. São novas profissões surgindo, bem como demandas inéditas. No entanto, presencia-se o desaparecimento de caixas de supermercados e outras atividades. Estas transformações constam na Pesquisa O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A quarta edição do levantamento em questão reúne 803 empresas de 27 setores diferentes e 45 economias de todas as regiões do mundo. O estudo revela, ao avaliar todo o cenário daqui até 2027, que a tecnologia vai provocar o desaparecimento de 83 milhões de postos de trabalho. O relatório também aponta que serão criadas 69 milhões de vagas, mas, mesmo assim, haverá um déficit de 14 milhões. Este dado corresponde a 2% dos empregos em todo o mundo. O relatório revela, ainda, algumas tendências. Hoje, 86,4% das companhias tentam aumentar o uso de plataformas e aplicativos. Além disso, 80% querem adotar recursos como Big Data, computação em nuvem e inteligência artificial. Alta e baixaNesta mudança do mercado, com o incremento de tecnologias, algumas funções recentes já crescem. É o caso da Machine Learning (aprendizado de máquina, em tradução simples), que integra a área de inteligência artificial, dando a computadores a capacidade de identificar padrões de dados e efetuar previsões. O mercado também anseia por especialistas em sustentabilidade, analistas de inteligência de negócios e em segurança da informação. Entretanto, algumas atividades conhecidas estão fadadas à extinção. Entre as funções que vão sumir estão caixas de banco e de supermercados e outros trabalhos relacionados, funcionários de serviços postais (correio), digitadores e profissionais responsáveis por entrada de dados, escriturários, secretariados e até vendedores de porta em porta. Segundo o professor responsável pela parte brasileira da pesquisa, Carlos Alberto Arruda de Oliveira, da Fundação Dom Cabral, até mesmo parte dos advogados deve perder espaço. “Quanto aos profissionais (da área) que fazem o entendimento da lei, a interpretação, a tendência é serem substituídos por aplicativos. Nos Estados Unidos, boa proporção dos divórcios já é feita por aplicativo. As partes entram e fazem acordo ali, sem juízes ou advogados”. Devido a essas mudanças, o relatório mostra que, entre aqueles que vão ficar desempregados, há quem nunca venha a ter a chance de retornar ao mercado de trabalho. Também existem pessoas tão atualizadas, que não vão precisar de requalificação até 2027 — veja mais no infográfico. PerfilO levantamento revela o perfil atual desejado para o profissional deste novo mundo. As habilidades requeridas são mais críticas, analíticas. Isso fica evidente quando se avalia a fala de Fábio Sartori, especialista em Gestão de Pessoas e pós-graduado em Planejamento Estratégico e Educador Executivo, que comenta a busca por analistas de ChatGPT. O especialista está há 13 anos à frente do Grupo Sartori, que atende empresas de ponta em recrutamento e seleção de profissionais, treinamento, desenvolvimento e pesquisa de clima organizacional. “As empresas não querem alguém de marketing (por exemplo). Elas desejam alguém que entenda os comandos dessa ferramenta, que saiba fazer as perguntas certas, para que ela faça os conteúdos”. Desta maneira, nem mesmo a experiência profissional tem mais tanta importância na seleção para vagas em aberto. “Meu avô ficou 52 anos (na mesma empresa). Antes, quando se fazia recrutamento, pegávamos alguém com esta característica e pensávamos que era um excelente profissional, porque tinha estabilidade. Hoje, pode-se entender que o profissional está acomodado”, pondera Sartori. Priorizar mulheresA pesquisa elaborada pelo Fórum Econômico Mundial também levantou informações sobre diversidade e inclusão em termos de contratações. A ideia era saber quais públicos as empresas pretendem priorizar. O que se constatou é que as companhias planejam ter mais mulheres em seus quadros de funcionários. [[legacy_image_272309]] De acordo com o levantamento, 79% das empresas vão dar preferência a mulheres na hora de buscar um novo profissional. Além disso, pouco mais da metade (51%) planeja abrir postos de trabalho para pessoas com deficiência (PCDs), levando em consideração seus próprios programas de inclusão e de diversidade. Também há um olhar diferenciado para os jovens de até 25 anos (68% das empresas intencionam empregar indivíduos desta faixa de idade). Se, por um lado, as empresas desejam abrir espaço para profissionais mais novos, a mesma preocupação não existe com relação aos mais experientes. Isto fica evidenciado quando o estudo traz a informação de que somente 36% pensam em admitir trabalhadores que tenham mais de 55 anos. Além disso, uma fatia pequena (39%) cogita contratar pessoas de origem religiosa, étnica ou racial desfavorecida. Por fim, somente 35% das companhias têm a ideia de trazer para seus negócios indivíduos que se identificam como LGBTQI+. [[legacy_image_272310]] País perde talentos para o exteriorNo futebol, o Brasil é visto como um grande celeiro de talentos. Por isso, os clubes mais ricos do mundo, de diversos continentes, vêm ao País e contratam as revelações. O que isto tem a ver com emprego e tecnologia? Simples: o mesmo movimento que se vê no esporte já acontece com profissionais das áreas tecnológicas. Fábio Sartori diz que vivenciou processos de contratação de profissionais que foram atuar em outras nações. “Já foram 12 pessoas colocadas pelo Grupo Sartori em outros países. Clientes daqui, com escritórios em Boston, Orlando e Miami (nos Estados Unidos), levaram contratados. Temos case (exemplo) sobre isto, e acredito que é uma tendência a ser intensificada, principalmente na área de tecnologia”. O professor Carlos Alberto Arruda de Oliveira, da Fundação Dom Cabral, assegura que este “êxodo” vai aumentar. “O País vai ser uma fonte de talentos para o mundo. Mas, vamos perdê-los para os Estados Unidos, Canadá, Portugal e países da Europa central, que recrutam esses jovens. Os melhores alunos vão ser seduzidos”. O docente também ressalta que o mercado nacional tem dificuldade de competir para manter seus melhores talentos. “Já monitorei várias iniciativas, inclusive de países pequenos da Europa, como a Romênia, recrutando no Brasil, nas principais universidades, e oferecendo condições de trabalho e segurança que não temos como oferecer”, admite. Ainda sobre as condições ofertadas por empresas, Sartori diz que os profissionais de tecnologia são exigentes. “Se falar que a vaga é 100% presencial, você terá dificuldade de contratar os melhores. Eles não pretendem voltar nem para o (sistema) híbrido. E, obviamente, a preferência é por vagas que paguem em dólar.”