[[legacy_image_263310]] A sujeira e o odor que, por vezes, são notados em locais onde estão pessoas em situação de rua também foram assunto ao longo do fórum A Região em Pauta, na segunda-feira (24). Esse é um dos principais pontos de conflito com nas cidades da região. A presidente do Conselho Municipal Antidrogas (Comad), Laura Dias, admite que esse é um problema real. Ela afirma que parte da solução seria a instalação de mais banheiros públicos na cidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Costumamos ouvir que a pessoa em situação de rua é porca. Mas, esquecem que é um ser humano e que tem suas necessidades também. Temos banheiros para essas pessoas? Onde posso fazer minha necessidade? Vão me emprestar o banheiro de suas casas? O homem do bar vai me deixar usar o banheiro? Não! A solução seria criar banheiros”, efende. Ela também criticou discursos que já escutou. “‘Ah! (Se fizer banheiros) vão se acomodar. Vai facilitar e, quanto mais facilitar, mais querem ficar na rua’. Não sei o que têm na cabeça, acham que é maravilhoso morar na rua. Não sabem o que é viver na rua, o frio… Quanto dói o pé, o corpo no frio... Se tocar algo no seu pé, parece uma marretada de tanto frio”. A presidente do Comad, que viveu nas ruas por duas décadas, reforça que são necessárias políticas públicas que ajudem quem está nas vias públicas a manter locais mais limpos. “Como presidente do Comad, já organizei uma audiência pública para a construção de banheiro e pontos de água, bebedouros. No mínimo, precisa-se de dignidade. E banheiro e local para tomar água são questões de dignidade humana”, diz. LixoApesar de suas declarações e de seus defesas, ela reconhece que muitos dos que vivem nas ruas sujam as cidades com lixo. Ela atribui esse fato à desorganização dos indivíduos. “Infelizmente, assim como pessoas que moram em casas, há gente desorganizada nas ruas também. A pessoa sobrevive da reciclagem, mas não consegue fazer trabalho sem tanta bagunça”. Laura faz uma ressalva. “Não generalizem. O problema da população é que, quando olha para a rua, só vê os erros. Colocam o erro de três ou quatro nos demais. Ajudaria muito ter pontos de coleta e venda de reciclagem”, sugere. [[legacy_image_263311]] Centro PopApesar das explicações e dos argumentos da Laura Dias, o secretário de Desenvolvimento Social de Santos, Carlos Mota, acredita que não existe necessidade de criação de mais banheiros. Segundo ele, a cidade conta com o Centro Pop (situado à Rua Amador Bueno, 446, no Paquetá), que é suficiente para ajudar as pessoas em situação de rua. “Pela experiência que temos de local construído com esta finalidade, seguindo o que a legislação preconiza, é o Centro Pop. Acreditamos que é a melhor ferramenta de acesso para quaisquer intenções de encaminhamento. Nossa equipe de abordagem, junto da Guarda (Civil Municipal, a GCM), faz o papel de ofertar o serviço de acolhimento”, declarou. O chefe da pasta que cuida da assistência social no município também afirma que “o Centro Pop não é só dignidade pelo banho, mas por completo. Há atendimento, conversa com técnico… oferta acolhimento à pessoa”. Mota diz, ainda, que o local de referência centraliza o primeiro contato com os indivíduos que estão nas vias públicas. “Qualquer munícipe que identifique a pessoa encaminha para a Guarda pelo (telefone) 153. Serão oferecidas as unidades de acolhimento, e vamos encaminhar. Assim, atingimos integralmente o cidadão”. ChamadosSobre o acionamento da GCM para atendimentos relacionados a quem vive nas ruas, o secretário de Segurança de Santos, Sérgio Del Bel Júnior, revela que 90% dos chamados recebidos pela corporação têm ligação com este público. “Neste ano, fizemos mais de 1.400 abordagens, que resultaram em mais de 400 encaminhamentos”.