(Reprodução) O título deste texto já foi tema principal de vários livros de autores estrangeiros, quase todos ligados a dicas de nutrição, qualidade de vida e hábitos saudáveis.“Somos o que comemos” faz sentido, é verdade, mas, para falar de obesidade de uma forma mais ampla, eu diria que é preciso acrescentar alguns conceitos ou, talvez, alguns fatores diretamente ligados ao ganho de peso. Então, o título do meu livro sobre obesidade seria: “Somos o que comemos, o que sentimos, o que e como vivemos”. E eu também diria, logo no início do meu suposto livro sobre obesidade, que, se o ganho de peso, o corpo fora de forma ou as roupas apertadas não desencadeiam nenhum trauma ou tristeza no dia a dia do obeso, excelente. Mas certifique-se, antes de descartar um tratamento, de que a saúde geral está bem, os níveis glicêmicos e de colesterol estão sob controle, não há nenhuma patologia associada à gordura e as atividades físicas estão sendo feitas de acordo com a necessidade de uma pessoa saudável. Se a resposta a todas essas perguntas for positiva, então essa pessoa está liberada para viver em paz. O cenário acima dificilmente é real, justamente porque a obesidade não diz respeito apenas à questão estética, mas à saúde de uma forma mais ampla — e esse é o ponto que preocupa autoridades e especialistas: um em cada três brasileiros é obeso, índice acompanhado de uma curva ascendente de obesos com colesterol alto, diabetes, problemas de circulação, de coração e de mobilidade. O caminho para combater a obesidade ficou mais simples com a chegada das canetas emagrecedoras. Ainda caras para pessoas pobres ou que dependem exclusivamente da rede pública, as canetas vêm revolucionando os tratamentos. Porém, é importante saber que obesidade não se combate com soluções milagrosas, justamente porque não somos apenas o que comemos. Somos também fruto da nossa saúde mental, do metabolismo que nosso organismo conduz, dos hábitos que adquirimos ao longo da vida e somos, também, produto da sociedade em que vivemos. As canetas ajudam, e muito, mas, se a intenção é virar a chave e combater não só a obesidade, mas todos os males que ela traz, é imprescindível olhar para si mesmo como um ser único e multifacetado — motivo pelo qual a redução de peso se dará de forma mais saudável se todos os profissionais que têm relação com o tema forem acionados: endocrinologista, nutricionista e, em alguns casos, um psicólogo. Inserir atividade física no dia a dia também ajudará no processo, e pode ser qualquer uma de que se goste: corrida, caminhada, natação, pedalar e até dançar! Aqui, vale finalizar da forma como se começou: citando um escritor. Drauzio Varella, que além de reconhecido médico é também maratonista, resume bem: “O corpo humano é como um automóvel: se ficar parado na garagem, estraga. Nós fomos feitos para o movimento.”