Diná Oliveira alerta para a precocidade do machismo: preocupação (Alexsander Ferraz/AT) A série premiada “Adolescência”, exibida pela Netflix, traz a história de Jamie Miller, de 13 anos, acusado de matar uma colega de classe, e os desdobramentos junto à família; Tudo de uma forma chocante e sem rodeios. Pois o olhar enviesado de meninos às mulheres tem virado algo comum, um obstáculo a mais no combate à violência. “A violência começa na fala, verbalmente. E a gente deixa para lá, acha que é assim mesmo. Ela está se antecipando. Hoje, está nos jovens. Segundo a juíza da Vara Infância e Juventude do Rio de Janeiro, a misoginia está muito mais presente nos jovens do que nos homens adultos”, aponta a presidente do Conselho Municipal da Mulher (Commulher) de Santos, Diná Oliveira. Ela conta que teve recentemente três encontros com cerca de 150 jovens, na faixa de 16 a 20 anos. E o resultado foi surpreendente. “Meninas de 16 anos dizendo que apanham do namorado, que tinham marcas roxas pelo corpo e tinham medo de contar para a mãe. Muitos relatos. Não dá para entrarmos no detalhe. E eu perguntei para os meninos se essa é a sociedade que querem para eles e os filhos. Também pedi para os meninos falarem como reagiriam a frases como ‘Olha, eu dei uns tapas nela mesmo, porque ela é muito folgada, tem que aprender a se comportar’. A resposta não foi a que gostaríamos de ouvir”, lamenta. RED PILL Como na série, o comportamento antifeminino tem nome: red pill, que defende uma visão de mundo baseada na superioridade masculina e na submissão feminina. Diná Oliveira entende que esse ódio tem se materializado com cada vez mais frequência e de forma precoce. “Nós precisamos cuidar das nossas meninas. já na faixa dos 9, 10 anos. A internet é assustadora. Há vídeos com jovens ‘ensaiando’ como se portar, em caso de uma recusa de um pedido de namoro. Um tira a faca, outro tira o revólver e os outros dois agridem com chute, soco. Isso está correndo na internet tranquilamente”, conta, assustada. Assim como na série, o ambiente escolar, na sua visão, não tem sido espaço de tranquilidade para os pais assim que os portões se fecham. “Os jovens estão organizando estupros coletivos dentro das escolas, meninos tendo acesso precoce à pornografia. Precisamos educar os nossos meninos e meninas”, alerta.