(Imagem ilustrativa/Pexels) Ouvindo, lendo e acompanhando os debates sobre Inteligência Artificial me vem à mente a virada deste século, de 1999 para 2000, e aquela sensação ruim do bug do milênio, de que tudo ia parar, de que os bancos e os computadores iriam nos deixar na mão. Nada aconteceu e é claro que esta minha introdução não quer dizer que o bug do milênio traria o que se promete para a Inteligência Artificial, mas a sensação de medo do desconhecido me parece ser a mesma. Há muitas informações estratégicas sobre as quais ainda não temos domínio. Não fosse isso e não teria havido aquele desconforto geral ocorrido quando do lançamento, pela OpenAI, da primeira versão do ChatGPT. Desconforto que se traduziu no posicionamento de seu CEO naquela ocasião. Sam Altman disse que “os perigos que o mantém acordado à noite em relação à inteligência artificial (IA) são os desalinhamentos sociais muito sutis que podem fazer com que os sistemas causem estragos”. Dito isso, coloquemos os pés no chão para entender que a inovação trazida pela Inteligência Artificial não vai retroceder, não será engavetada nem ficará estacionada. Pelo contrário: as big techs que dia e noite trabalham para lançar versões cada vez mais potentes descobriram que ali há potencial para ser usado na Ciência e em todas as cadeias produtivas que se tem conhecimento. E não há mal nenhum em investir nesse caminho. O problema, mais uma vez, está no contexto que tangencia essa redoma, este sim, preocupante. O primeiro deles é que nem toda a sociedade terá condição de se capacitar para manejar as ferramentas de IA, então, que se tenha como prioridade oferecer conhecimento às gerações mais novas, que estão em formação, por meio de educação midiática que proporcione não apenas o domínio das ferramentas, mas a noção de ética e retidão necessária. A segunda questão é criar regulações claras que imponham limites éticos e penalidades aos que fizerem da IA mais um aparelho de criação e divulgação de fake news. É preciso admitir que os aplicativos que se utilizam de Inteligência Artificial são capazes de envelopar qualquer inverdade com tamanha eficiência que dificilmente alguém identificaria. Por fim - e esse é o diferencial maior da IA frente a todas as outras inovações já criadas no universo da tecnologia: o coração humano, com sua capacidade de sentir, amar e se conectar com os outros, é algo que a IA ainda não consegue replicar. Nossas emoções e experiências são complexas e profundamente entrelaçadas com nossas histórias pessoais e culturais, o que nos permite criar laços significativos com aqueles ao nosso redor. Essa singularidade de sentir e demonstrar empatia é o que nos torna verdadeiramente únicos. Que o medo da IA não subtraia essa capacidade.