[[legacy_image_263323]] Se as moradias não se tornarem mais baratas, o número de pessoas em situação de rua vai continuar crescendo no mundo. Esta é a avaliação do terapeuta e futuro chefe do Departamento de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Santos, o médico psiquiatra Roberto Tykanori Kinoshita. Ele participou do segundo painel do fórum A Região em Pauta, na última segunda-feira (24). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O especialista disparou: sem mudanças, “a população de rua vai crescer sempre”. No entanto, esta frase foi só a conclusão de seu raciocínio. Antes, introduzindo seu pensamento, ele foi muito direto ao dizer que a droga não é a grande causa que leva pessoas às vias públicas. Em sua opinião, o maior problema é econômico e direcionado aos custos da moradia. O especialista entende que a concentração de renda e a concepção que a sociedade possui a respeito de imóveis criam um cenário insuportável para quem tem renda mais baixa. Deste modo, sem ter condição de arcar com os preços, muitos são forçados a abandonar seus lares e ir para a rua. “Dos anos 1970 para cá, a população de rua cresceu muito no mundo. O que acompanha este movimento é a concentração de renda. E por que isto é um problema? Bem, as pessoas não têm onde morar, e isso por vivermos em uma sociedade em que moradia é um bem de consumo. Assim, é para quem pode, pois os aluguéis sobem enormemente, e os preços dos imóveis vão sendo cada vez mais especulativos”, disse. Kinoshita, que coordenou a política de saúde mental, álcool e drogas do Ministério da Saúde entre 2011 e 2015, no Governo Dilma Rousseff (PT), reforçou que este não é um problema estrutural somente da Baixada ou do Brasil, mas de todo o planeta. Para isso, usou os Estados Unidos como exemplo. [[legacy_image_263324]] “Lá, nos anos 1970, 75% da classe média tinha casa própria. Hoje, nem 30% tem. Perderam suas casas. No mundo inteiro, começa a haver este processo”, frisou. Por isso, o especialista defendeu a necessidade de a moradia ser vista de forma diferente. “Moradia é bem de consumo, mas, do ponto de vista econômico, tem de ser vista como insumo para produção. Tem que ser (de valor) baixo. Enquanto veem como bem de consumo, o preço vai lá em cima, e as pessoas não produzem, porque não têm onde morar e descansar para terem força para trabalhar. Esta é a questão central. Deve-se ter condição de descansar e produzir para trabalhar mais”, falou.