Pós-pandemia apresentou sinergia entre o mercado físico e o digital (Alexsander Ferraz) Como em quase todas as cadeias produtivas do Brasil, o que determina o sucesso ou o fracasso de um empreendimento não é um fator isolado, mas o conjunto de fatores, pessoas e atitudes que, bem ou mal tomadas, carrega o produto ou serviço para cima ou para baixo. Esse conceito, associado à certeza de que tudo muda o tempo todo e que a sociedade e o comportamento das pessoas estão em permanente mutação, dão a noção exata de que o comércio varejista é parte dessa cadeia de transformação. Por muito tempo vigorou a ideia de que o crescimento do e-commerce engoliria as lojas físicas, entendendo que o consumidor prefere comprar on-line por diversos fatores, entre eles os preços menores, a possibilidade de fazer a compra no conforto do lar em qualquer dia e horário de preferência. O pós-pandemia mostrou que não é bem assim, e que circular pelas lojas e shoppings, experimentar e conviver no ambiente comercial são tarefas que compõem a rotina cotidiana de centenas de milhares de brasileiros, especialmente dos mais velhos e aposentados. Empiricamente, o que se tem visto é a sinergia entre os dois tipos de ‘prateleira’, a física e a virtual, entendendo que, sim, muitos consumidores vão às lojas de rua experimentar e usar todos os seus sentidos para analisar o produto, e que depois seguem para os sites de compras para finalizar a compra. Terá mais sucesso quem entender que essa jornada do consumidor é um caminho sem volta, e contra o qual não se pode remar. Manter-se atualizado nas ferramentas tecnológicas, entender quais são as necessidades do cliente, estar atento a produtos e serviços que possam facilitar a vida e o trabalho dos consumidores são virtudes dos empresários que não enxergam apenas as dificuldades, mas também as oportunidades de inovar. Mas como dito no início deste texto, o que determina o sucesso ou o fracasso de um empreendimento é um conjunto de fatores. Deve-se reconhecer que o poder público tem sua (grande) parcela de responsabilidade, seja no campo dos tributos e regulação, seja na criação e manutenção de condições estruturais para que o comércio de rua se mantenha vivo. Nenhum consumidor terá tranquilidade em caminhar por ruas e avenidas se não se sentir seguro, se não tiver local fácil de estacionamento ou se a mobilidade urbana for complicada nos centros comerciais. É papel das prefeituras, especificamente, criar esse ambiente confortável e convidativo. Não há espaço para amadorismo nem para quem pretende se manter no setor do comércio varejista nem para as prefeituras que queiram manter vivos seus centros comerciais. É preciso que todos olhem a questão de forma sistêmica e chamem para si a parte que lhes cabe nessa equação. *Arminda Augusto Gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna