Hoje, 26,4% da população de Santos tem 60 anos ou mais. Para 2050, a projeção do IBGE é de 37,5% (Alexsander Ferraz/AT) Um terço da população de Santos tem mais de 60 anos, e o envelhecimento exige políticas que vão além do atendimento após violações de direitos. Para Renata Bravo, secretária municipal de Desenvolvimento Social, o desafio é fortalecer vínculos familiares e comunitários, estimular a autonomia e prevenir situações de abandono, violência e isolamento. A secretária afirma que a pasta segue as diretrizes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que orientam a preparação dos serviços para atender quem precisar. O trabalho é dividido entre a proteção básica, voltada à prevenção, e a proteção especial, destinada a casos em que já houve violação de direitos. “Nosso principal papel é tentar fazer com que direitos não sejam violados e trabalhar incansavelmente no fortalecimento dos vínculos de todas as pessoas”, diz Renata. Segundo ela, as políticas precisam considerar as condições de cada território e a realidade familiar de cada idoso, em vez de aplicar a mesma solução em toda a cidade. Entre as iniciativas está o programa Vovô Sabe Tudo, que há diversos anos oferece oportunidades de participação no mercado de trabalho a pessoas com mais de 60 anos. Os participantes atuam principalmente em equipamentos turísticos, onde estudam a história dos locais e compartilham esse conhecimento com visitantes. A procura pelo programa mostra o interesse por esse tipo de oportunidade. No último edital, segundo Renata, cerca de 280 pessoas se inscreveram para 40 vagas. Para a secretária, a experiência ajuda a ampliar a autonomia e a manter os idosos ativos. Ela relata que há participantes com mais de 80 anos que vivem sozinhos, cuidam da própria casa e continuam trabalhando. A pasta também mantém serviços de convivência e fortalecimento de vínculos, além de atendimento por equipes dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS). Esses espaços podem ajudar a identificar sinais de violência doméstica, abandono e solidão, além de aproximar os idosos de atividades e outras pessoas. Renata defende que a prevenção seja feita em parceria com outras áreas, principalmente a Saúde. A articulação, afirma, é necessária para que a rede pública não atue apenas quando os problemas se agravam. “Quando a gente está trabalhando na base, trabalhando na prevenção, de alguma forma, eu acredito que a gente não deixa tudo acumular para a Secretaria de Saúde”, afirma. A secretária também destaca que a distribuição dos serviços deve considerar as necessidades de cada região. Para ela, oferecer atividades perto de onde os moradores vivem facilita a participação de quem enfrenta dificuldades de deslocamento, especialmente nos morros e na Zona Noroeste. Trabalho integrado A ampliação de vagas em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) está entre as demandas discutidas pelo Conselho Municipal da Pessoa Idosa e pela Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos. Renata Bravo afirma que a contratação desses serviços exige articulação entre as áreas de Desenvolvimento Social e Saúde. Segundo a secretária, a discussão precisa envolver as duas pastas desde o planejamento. Ela afirma que parte dos recursos destinados à secretaria deverá financiar a contratação de ILPIs, demanda apresentada pelo conselho nas discussões sobre o orçamento municipal. “Só é razoável ter essa discussão se ambas as secretarias estão pensando da mesma forma, quando se fala de contratar o mesmo serviço”, diz. O trabalho exige acompanhamento contínuo. A ampliação da rede não se resume às instituições de longa permanência. Renata cita os centros-dia, que recebem idosos enquanto familiares trabalham, e os serviços de convivência, que promovem atividades coletivas e ajudam a manter vínculos sociais. O objetivo é oferecer apoio conforme a necessidade de cada pessoa. Atualmente, Santos conta com oito serviços de convivência e fortalecimento de vínculos, segundo a secretária. As unidades atendem diferentes faixas etárias, incluindo idosos, e ajudam as equipes a perceberem sinais de violência dentro de casa, abandono familiar ou isolamento. Para Renata, esse acompanhamento é importante porque parte dos idosos passa muito tempo sozinha. “Quando a gente tem o idoso frequentando o serviço de convivência, a gente consegue não só promover ações para eles, mas detectar se, porventura, ele passa por uma situação de violência dentro de casa”, afirma. A secretária defende que a localização dos equipamentos acompanhe a demanda de cada bairro. Ela cita as 12 unidades das Vilas Criativas, distribuídas pela cidade para facilitar o acesso a cursos e atividades. Moradores dos morros e da Zona Noroeste precisam encontrar opções próximas, sem depender de deslocamentos longos. Renata avalia que o fortalecimento dos vínculos e a oferta de atividades contribuem para reduzir a solidão e evitar que necessidades sociais acabem concentradas na rede de saúde. Por isso, defende políticas integradas e atenção às condições de moradia, transporte e apoio familiar de cada idoso.