(fonte: Infosiga SP) Cidade com maior população da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, Santos lida com os problemas relativos a um trânsito concorrido. Dados sobre letalidade no Município indicam que há problemas a serem contornados, e com urgência, por uma convivência mais harmônica. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Alguns dados ajudam a mostrar a atmosfera do trânsito local. Segundo dados do Infosiga SP, em números absolutos, Santos demonstra uma queda forte no número de óbitos em vias urbanas, levando em conta todos os modais de transporte. Se, em 2015, foram 51 óbitos, os últimos anos (2022 a 2025) trazem uma média estabilizada na faixa entre 24 e 30 mortes. Neste ano, em dados parciais, foram 17 vidas perdidas. “Nós temos aí 82% das vítimas fatais homens, 33% com motocicleta, 21% pedestre, 14% ciclistas, numa idade entre 20 e 29 anos, uma faixa etária economicamente ativa”, afirma o assessor jurídico da CET-Santos, Marco Vieira. “Formar um condutor vai muito além de ensinar a fazer baliza. A habilitação de forma gradual, como acontece na Europa, seria uma solução. Você não pode entregar o veículo automotor na mão de um jovem que acabou de ser habilitado”, Marco Vieira, assessor jurídico da CET-Santos (Sílvio Luiz/AT) Processo de formação Ele defende mudanças no processo de formação de condutores, passando a considerar também aspectos cognitivos como inteligência emocional e percepção avançada de risco no trânsito. “Formar um condutor vai muito além de ensinar a fazer baliza. A habilitação de forma gradual, como acontece na Europa, seria uma solução. Você não pode entregar a habilitação ou o veículo automotor na mão de um jovem que acabou de ser habilitado. É ir implementando com restrições de local, potência e horário”, recomenda. Marco crê, ainda, que existe permissividade com quem dirige sem habilitação. Ele apresentou dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) que mostram que 50,4% dos proprietários de motocicleta não são habilitados, o que equivale a 16,5 milhões de condutores. “É crime desde que gere perigo de dano. Se a pessoa estiver dirigindo de forma regular, não existe crime”, emenda. “São mais de 6 mil pessoas morrendo no trânsito paulista, 17 por dia. Fora que 62% dos leitos hospitalares da cidade de São Paulo são ocupados por vítimas de sinistro de trânsito. Os acidentes custam R\$ 12 bilhões/ano ao Estado”, Frederico Pierotti Arantes, presidente do Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo (Cetran-SP) (Sílvio Luiz/AT) Plano Estadual de Segurança Viária é aposta por dias melhores Uma “sopa de letras”, com diversos órgãos e autarquias. Uma legislação esparsa, com vários órgãos e entidades, onde são delimitadas as competências, os sistemas federais, onde são registrados tanto a habilitação quanto o veículo, as infrações, os acidentes. E por fim, a fiscalização. No meio de tudo isso, o cidadão um pouco perdido. Esse é o diagnóstico apresentado pelo presidente do Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo (Cetran-SP), Frederico Pierotti Arantes. Em um cenário de avanços e recuos nas metas de redução de mortes no trânsito no mundo, ele destaca o Plano Estadual de Segurança Viária, publicado este ano. Segundo ele, foram colhidas informações de todos os 645 municípios paulistas, como fiscalização, campanhas realizadas, estrutura de julgamento e recursos e equipamentos. “São mais de 6 mil pessoas morrendo no trânsito paulista, 17 por dia. Fora que 62% dos leitos hospitalares da cidade de São Paulo são ocupados por vítimas de sinistro de trânsito. Os acidentes custam R\$ 12 bilhões/ano ao Estado, equivalente a 40% do orçamento destinado à área da Saúde”, constata. Formatação do plano Com mais de 500 pessoas envolvidas em sua confecção, o Plano Estadual de Segurança Viária traz algumas metas, como a redução de, no mínimo, 50% da taxa de mortalidade no trânsito até 2030 e a adoção de princípios do Sistema Seguro e Visão Zero, como não aceitar nenhuma morte no trânsito como normal e que, se as pessoas cometem erros, o sistema deve ser resiliente. “Fizemos questão de inserir no plano um portal público, para que todos possam acompanhar cada um daqueles produtos propostos. Também está em desenvolvimento um aplicativo chamado RST (Registro de Sinistro de Trânsito)”, finaliza o especialista.