Programas gratuitos focam em capacitar mulheres de faixa etária mais alta para o mercado de trabalho (Vanessa Rodrigues/ AT) O acesso ao mercado de trabalho e à tecnologia está entre as frentes de atuação da Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, para ampliar a autonomia de mulheres e pessoas idosas. Segundo Nina Barbosa, secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, o programa Emprega Mulher já formou pelo menos 60 mulheres para trabalhar como vistoriadoras de contêineres no Porto de Santos. Parte delas já está sendo contratada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Criada em março deste ano, a iniciativa busca aproximar mulheres de oportunidades profissionais em setores como o portuário e a construção civil. De acordo com Nina, o público inclui pessoas que estavam fora do mercado de trabalho e que, em alguns casos, nunca haviam imaginado trabalhar no Porto. A secretária destaca a participação de mulheres com mais de 40 anos, faixa etária em que a experiência profissional pode representar um diferencial, mas que também enfrenta dificuldades para conseguir emprego. Para ela, cabe ao poder público criar condições para que essas profissionais tenham acesso a novas áreas de atuação. “A nossa responsabilidade e obrigação enquanto poder público é dar a oportunidade, ir atrás de mecanismos e atrás de recursos para poder possibilitar”, afirma. Nina avalia que as políticas de inclusão profissional precisam considerar diferentes faixas etárias e oferecer oportunidades de formação. Na Casa da Mulher de Santos, por exemplo, também são realizadas aulas sobre inteligência artificial voltadas ao público feminino, sem limite de idade. A proposta é permitir que mulheres mais velhas tenham contato com ferramentas tecnológicas que podem ser utilizadas no trabalho e no cotidiano. A inclusão digital também faz parte das ações destinadas à população idosa. Em parceria com a Universidade Santa Cecília, a Secretaria da Mulher desenvolve o programa Inovação e Longevidade, no Parque Tecnológico de Santos. A iniciativa já capacitou mais de 500 idosos em cibersegurança, segundo a secretária. As aulas são ministradas por universitários com acompanhamento de um professor da área de tecnologia da informação. Além de aproximar os participantes de recursos digitais, o programa busca ajudá-los a reconhecer riscos e evitar fraudes na internet. “Como é que a gente pode fomentar e ajudar as pessoas a entrarem no mercado de trabalho se a gente não tirar essa barreira em relação à tecnologia?”, questiona Nina, ao defender que o acesso às ferramentas digitais também contribui para ampliar oportunidades. A secretaria ainda mantém uma Coordenadoria da Pessoa Idosa e atua em parceria com outras áreas da Prefeitura. Entre as iniciativas citadas pela secretária está o Cérebro Ativo, programa de estimulação cognitiva que já é parceiro do município e deverá ampliar as atividades na Casa da Mulher. Mecanismos disponíveis A participação dos moradores é apontada por Nina Barbosa como fundamental para definir as políticas públicas destinadas à população idosa em Santos. A Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos oferece apoio administrativo ao Conselho Municipal da Pessoa Idosa e participa da gestão do fundo municipal voltado a essa população. Segundo a secretária, as pré-conferências realizadas em diferentes regiões da Cidade permitem identificar necessidades específicas de cada território. As discussões ajudam a orientar as prioridades e a destinação dos recursos disponíveis. “Só vai entender de verdade as dores sendo provocadas em relação a isso”, afirma Nina, ao defender que as decisões sejam construídas a partir da escuta dos moradores. A secretária também destacou dificuldades de mobilidade relatadas durante o encontro sobre longevidade, como calçadas danificadas, raízes de árvores, degraus altos nos ônibus e circulação de bicicletas em áreas destinadas aos pedestres. Segundo ela, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos e a Guarda Civil Municipal (GCM) começaram a realizar blitzes para coibir o uso irregular desses espaços. Nina ressaltou que os idosos têm direito à autonomia para circular pela Cidade e afirmou que las ações de fiscalização precisam ser acompanhadas de campanhas de conscientização. Outra frente envolve a adesão de Santos ao Pacto Nacional Viver sem Limite, voltado às políticas para pessoas com deficiência. Conforme a secretária, o plano municipal elaborado para identificar necessidades de mobilidade prevê intervenções que também podem beneficiar idosos com dificuldades de deslocamento. A expectativa é viabilizar melhorias em calçadas, praças, acessos e outros espaços públicos. Nina afirmou, porém, que a execução depende dos trâmites do governo federal e da obtenção de recursos, inclusive com possíveis aportes estaduais e federais. A secretária não apresentou prazo para a liberação dos investimentos. A pasta também articula ações com as secretarias de Desenvolvimento Social, Saúde, Educação e Esportes. Para Nina, a integração é necessária para que as demandas identificadas nos bairros sejam encaminhadas às áreas responsáveis e resultem em medidas compatíveis com as necessidades dos moradores.