Impostos como ISS e IPTU, além de parte do ICMS, que é um tributo estadual, vão parar dentro do caixa dos municípios (Adobe Stock) O poder público também se beneficia do comércio de rua. Isso porque os cofres públicos 'engordam' por causa de impostos e taxas pagos pelo setor. Na Baixada Santista, municípios arrecadam dezenas de milhões de reais graças à atuação do segmento. São Vicente, por exemplo, no ano passado, obteve R\$ 72 milhões, montante dividido entre tarifas, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Imposto Sobre Serviços (ISS). Para este ano, a Administração Municipal estima receita de, aproximadamente, R\$ 75 milhões. Por sua vez, Bertioga conseguiu cifras mais altas. No total, entraram para o caixa R\$ 81,750 milhões. A maior parte, cerca de R\$ 31,9 milhões, foi oriunda de devolução de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Por lei, o Estado de São Paulo, que cobra esta taxa, reembolsa os municípios em 25% de tudo que é pago. Já a prefeitura guarujaense adota a contagem somente do IPTU de imóveis comerciais. A cidade registrou R\$ 43,1 milhões. Ainda, Cubatão fechou o ano passado com R\$ 44,3 milhões. A quantidade é oriunda da cobrança taxas mobiliárias, que incluem licença, publicidade e ISS variável e fixo, e imobiliárias. Em 2024, está previsto aumento, com o valor ultrapassando a casa dos R\$ 46 milhões. Contagem diferente Em Santos, explicou que, quando o assunto é varejo de rua, contabiliza somente as quantias de ICMS devolvidas pelo Governo Estadual. Somente em 2023, este montante foi de R\$ 691 milhões. Por sinal, quando observados os dados locais, nota-se que a parcela direcionada à prefeitura vem aumentando constantemente. Em 2020, primeiro ano da pandemia da covid-19, esta receita foi de R\$ 348 milhões. Já no exercício seguinte, passou a R\$ 478 milhões. Por fim, em 2022, o valor foi de R\$ 584 milhões. De acordo com a administração, esta tendência de alta deve se manter para este ano. Isso porque a previsão é de que R\$ 769 milhões sejam destinados à cidade. Em contato telefônico, o secretário de Finanças e Gestão de Santos, Adriano Leocadio, afirmou que os dados indicam o bom momento do comércio municipal. Demais locais Procurados, os municípios de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe não enviaram suas informações até o fechamento desta edição. Black Friday antecipa vendas no fim de ano Considerada uma das principais datas para o varejo, a Black Friday não gera mais vendas. Na verdade, o que ocorre é que ela antecipa as aquisições que, anteriormente, aconteciam no feriados de fim de ano. Mesmo assim, é indispensável, para os comerciantes, participar. Durante o evento, foi o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo quem afirmou que não se constata aumento na quantidade de itens comercializados na data citada. Além disso, muito por causa do comércio eletrônico, o lucro também não é alto. “Esta data é importante, mas não tem gerado mais vendas. Aliás, pelo contrário. A pressão feita em cima de lojas de varejo, principalmente no e-commerce, faz as margens diminuírem bastante. Então, é uma coisa que se precisa prestar atenção”, afirmou Maurício Stainoff. Para o convidado do fórum do projeto A Região em Pauta, isso ocorre devido à cultura criada no Brasil, que é diferente da americana. Nos Estados Unidos, país que criou a Black Friday, o dia de descontos serve para renovação de estoque. Por aqui, o que se busca é adiantar as compras. Outro fator determinante é a proximidade das promoções com o pagamento da primeira parcela do 13º salário, que acontece no fim de novembro. Como as promoções sempre são marcadas para a última sexta-feira do mesmo mês, os dois eventos coincidem, gerando impacto no setor. “Nos estudos que temos, houve queda no volume de vendas do Natal”, relatou. Stainoff também salientou que nem todos os segmentos vendem muito na Black Friday. Segundo o mandatário da Federação, o público tem preferências nesta data. “Às vezes, a grande quantidade é em cima das linhas branca (como eletrodomésticos) e marrom (celular, televisores e afins), com pessoas comparando o preço na internet”. O especialista também declarou que “normalmente, estas compras de produtos mais caros são planejadas. Um ou outro compra por impulso. As pessoas se preparam, pesquisam”, falou.