Na Amei Rei Pelé, atividades diversas aproximam alunos e escola (Divullgação) Com uma rede marcada por vulnerabilidade social e limitações orçamentárias, São Vicente tem avançado na educação de tempo integral a partir do engajamento direto de quem está no cotidiano das escolas. A avaliação é da secretária municipal de Educação, Michelle Melo Paraguai, ao destacar que a participação ativa de diretores e professores foi determinante para a implantação das cinco primeiras unidades de tempo integral no município. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Michelle lembra que São Vicente partiu do zero. Em 2023, a cidade não contava com nenhuma unidade integral estruturada. Em três anos, foram criadas cinco Ambiente Municipal de Ensino Integral (Amei) e outras três unidades passaram por adaptações para funcionar em tempo integral, totalizando oito. “Somos um município pobre, com muitos desafios, mas avançamos. Em apenas dois anos, ampliamos em mais de 1.300 vagas a oferta de educação de tempo integral”, afirmou. Qualidade pedagógica Segundo a secretária, o foco nunca foi apenas manter o aluno mais tempo na escola, mas garantir sentido pedagógico à proposta. “A gente não quer só tirar o aluno da rua. Queremos que ele se torne cidadão, que se reconheça no território e consiga intervir nele”, disse. Para isso, as unidades trabalham eixos que envolvem cultura, desenvolvimento cognitivo e formação social, além de ações intersetoriais com outras secretarias do município. Michelle destaca o papel da primeira diretora de Amei da cidade, Regina Davino, diretora da Amei Rei Pelé, considerada precursora do modelo em São Vicente. “Regina começou tudo isso. Foi quem encarou o desafio inicial e ajudou a construir esse caminho”, afirmou. Escola acolhedora Regina relata que implantar uma escola de tempo integral foi um dos maiores desafios de sua carreira. Com cerca de 30 anos de atuação na educação pública, ela destacou que manter crianças por até dez horas diárias na escola exigiu uma mudança profunda na rotina e na proposta pedagógica. “A escola precisa ser acolhedora, criar oportunidades e fazer com que os alunos tenham prazer em estar ali. Educação integral não pode ser apenas uma jornada estendida”, afirmou. De acordo com a diretora, as Ameis oferecem atividades de arte, esporte e cultura, ampliando as possibilidades de desenvolvimento dos estudantes. Ela também aponta avanços na alfabetização, especialmente entre alunos que ingressaram após o período mais crítico da pandemia. Michelle reforça que cada Amei construiu uma identidade própria, alinhada ao território em que está inserida. Há unidades com forte atuação cultural, outras com foco em educação ambiental, além de escolas certificadas com o selo Escola Azul e o selo de escola antirracista. “A gente vê pertencimento, valorização e muitas potências surgindo”, afirmou. Para a secretária, os avanços só foram possíveis porque houve envolvimento direto das equipes escolares. “São pessoas que acreditam, que fazem acontecer todos os dias. Mesmo com poucos recursos, é essa participação do diretor e do professor que faz toda a diferença”, concluiu Em Itanhaém, programa está em 22 escolas do infantil Chrystina Magalhães, diretora pedagógica da Prefeitura de Itanhaém, compartilhou a experiência do município na implantação da educação integral e destacou que, embora os desafios de espaço e recursos sejam reais, eles não inviabilizam a política quando há compromisso coletivo e engajamento das equipes escolares. Itanhaém possui uma rede com 42 unidades escolares, algumas rurais, e cerca de 18 mil alunos (Divulgação/PMI) Itanhaém possui uma rede com 42 unidades escolares e cerca de 18 mil alunos, o que exige atender simultaneamente o ensino regular e as propostas de ampliação da jornada. “Para nós ainda é um desafio o espaço, é um desafio conseguir concretizar isso”, afirmou. Mesmo diante dessas limitações, ela destacou que o município mantém 22 unidades de educação infantil com atividades de educação integral, voltadas às “vivências sociorecreativas e de cuidados”. Para a diretora, a discussão sobre educação integral precisa ir além da ampliação do tempo na escola. “É esse olhar do que é integral, não apenas de tempo estendido”. Experiência positiva A diretora lembrou a experiência do programa Mais Educação, em 2007, e destacou um caso específico que marcou a rede municipal: a Escola José Teixeira Rosas, localizada em área rural do município, próxima a Peruíbe. Segundo ela, a unidade passou a apresentar resultados expressivos nos indicadores educacionais a partir do trabalho com educação integral. “Foi lá onde a gente conseguiu esse engajamento, esse olhar para o território como espaço de potência”.