[[legacy_image_223326]] “A ocupação dos espaços pelas pessoas com deficiência, essa visibilidade que a gente percebe, é um caminho sem volta”. As palavras são de Flávia Cintra, jornalista santista, cadeirante há três décadas por um acidente (ela tem 48 anos) e repórter do Fantástico, da Rede Globo, desde 2010. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ditas em um vídeo, elas abriram o fórum A Região em Pauta, realizado no auditório do Grupo Tribuna e que tratou sobre inclusão e acessibilidade. Todos os detalhes foram transmitidos por intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os convidados também fizeram autodescrição. Dois integrantes da Congregação Santista de Surdos acompanharam o evento. “É algo (a visibilidade) que abre tantas possibilidades para as pessoas despertarem o desejo de construírem uma vida feliz, independentemente de suas características”, prosseguiu Flávia. Ela recebe mensagens de garotas com deficiência que decidiram cursar Jornalismo após ver seu trabalho. Além de o exemplo ser um ponto de partida, isso passa pela educação, foco do primeiro painel, mediado por Arminda Augusto, gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna. Tudo a partir da inclusão de pessoas com deficiência, os desafios na sala de aula, o uso da arte e de atividades lúdicas. “Quero unir três pilares: a educação criativa, o entretenimento e a inclusão para que tenham tudo a ver”, observa Carol Porto, professora e criadora da Turma do Longinho, projeto com personagens cada qual com uma característica e estimulando a inclusão. “Todos os alunos e escolas têm que ser de inclusão. Não temos que diferenciar a palavra inclusão como se dissesse respeito apenas às crianças da educação especial”, lembra Carolina Videira, mestre em Neurologia, especialista em Práticas Inclusivas e Gestão das Diferenças. Também participaram Ana Paula Gimenez, diretora do Departamento de Educação Básica da Prefeitura de Peruíbe, e Ana Paula da Silva Souza, coordenadora do Serviço de Educação Inclusiva e Atendimento, da mesma cidade. TrabalhoA inclusão de uma pessoa com deficiência no mercado de trabalho foi o centro do segundo painel, mediado pelo jornalista Luiz Alexandre Ventura. Ele comanda o blog Vencer Limites, espaço de notícias sobre diversidade. “A gente investe muito na autonomia da criança. Quanto mais autonomia essa criança que chega pequenina for adquirindo, mais fácil será para que ela, no futuro, consiga trabalhar”, analisa Suely Ribeiro Costa, coordenadora do Ambulatório e do Programa de Treinamento para Colocação no Mundo do Trabalho da Apae de São Vicente. Aliado a isso, vem o ensino. “A qualidade da educação, com escola que funcione na inclusão, com recursos e professores capacitados, vai depender que o próximo passo aconteça: capacitação profissional”, afirma Cid Torquato, ex-secretário da Pessoa com Deficiência da Prefeitura de São Paulo e atual presidente do Icom-Libras, especializado no atendimento e na comunicação com a comunidade surda. “A gente sabe que existem barreiras atitudinais, comportamentais e culturalmente concebidas por décadas, que até os educadores carregam e precisam quebrar”, lembra Cristiane Zamari, coordenadora de Defesa de Políticas para Pessoa com Deficiência da Prefeitura de Santos.