Advogada e ex-promotora de justiça, Gabriela Manssur indicou pilares contra a violência à mulher. Um deles é a independência financeira (Alexsander Ferraz/AT) Identificar os sinais de agressão e de suas formas, nutrir uma rede de apoio às vítimas de violência e reforçar a educação dos jovens contra comportamentos como a misoginia (ódio e desprezo às mulheres). Esses foram os recados deixados nos debates do fórum A Região em Pauta sobre Segurança da Mulher, nesta segunda-feira (30), no auditório do Grupo Tribuna. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A gente não pode normalizar. Nenhuma mulher merece viver numa relação abusiva, com falta de respeito”, afirma a presidente do Conselho Municipal da Mulher de Santos, Diná Oliveira. O evento começou com o painel Quando Elas Falam, no qual vítimas de violência expuseram suas histórias e como se reerguem do trauma. Antes, a artista Juliana Bordallo apresentou a minipeça Escolhas. No painel Caminhos de Acolhimento e Proteção, a busca por soluções deu o tom dos debates. “(A violência) Não pode ser tratada como algo íntimo. Ela é estrutural e vem de um histórico de desigualdade de gênero”, afirma a presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica da OAB Santos e presidente da Mulheres S/A, Tatiana Riesco. A comandante da 4ª Companhia da PM em Santos, capitão Fúlvia Guisini, lembra que, na Zona Noroeste, 70% dos casos de violência eram apresentados como “desinteligência”, gerando subnotificação. “Com a Lei Maria da Penha, conseguimos colocar os pingos nos is. Precisávamos de mecanismo eficiente para que conseguíssemos uma estatística.” A juiza de Direito em Santos e coordenadora do Núcleo de Justiça Restaurativa, Renata Gusmão, defendeu mais rigor na aplicação das medidas protetivas. “Seria importante, por exemplo, ampliar a tornozeleira eletrônica, a rede de apoio a essa mulher, para que ela saiba que tem direito à proteção.” A secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos de Santos, Nina Barbosa, destacou a política integrada por mulheres. “O Município foi escolhido como cidade piloto do boletim (de ocorrência) integrado em relação à violência doméstica porque essa rede de apoio é robusta.” A deputada estadual Solange Freitas (União) também destacou a ocorrência integrada. “A Polícia Civil é acionada, para ela (a vítima) não ter que se deslocar e ser, de repente, mal atendida numa delegacia.” Artista Juliana Bordallo apresentou minipeça Escolhas, como parte das discussões e dos recados no debate (Alexsander Ferraz/AT) INDEPENDÊNCIA Advogada, ex-promotora de justiça, especialista em Direito das Mulheres e criadora do Instituto Justiça de Saia, Gabriela Manssur indicou pilares contra a violência à mulher. Um deles é a independência financeira. “Estudar e trabalhar são ações importantes, porque a mulher que tem o dinheiro dela consegue escolher o próprio caminho e sair de um relacionamento abusivo antes que seja tarde”. Leia na edição de domingo (5) de A Tribuna um suplemento com reportagens especiais sobre os debates de ontem do fórum A Região em Pauta.