Ônibus da linha Visite Santos na Praça Mauá: opção de passeio aos turistas e oportunidade para profissionais que trabalham com grupos (Alexsander Ferraz/AT) Um olhar empático para com os profissionais de turismo - e, porque não, estimular o surgimento de novos “experts” no tema, capazes de vender o melhor da nossa região em seus próprios ofícios, como na condução de aplicativos de transporte. Para o presidente da Associação dos Profissionais de Turismo da Baixada Santista (APT), Eduardo Silveira, o futuro da profissão está em aberto. “É nosso papel fomentar a importância do turismo. E vale destacar como tem crescido de forma orgânica. Isso ocorre quando há demanda. Há empresários querendo investir e excelentes profissionais na nossa região. Mas precisamos, de fato, desse apoio da governança”, pontua. Ele crê que o turismo vive momento de preferência por grupos menores, capazes de desfrutar mais das experiências, no lugar do overturismo (quando o número de visitantes em um destino excede a sua capacidade de suporte, gerando superlotação e degradação ambiental). “Grandes regiões do mundo estão combatendo esse excesso, buscando um turismo de menor quantidade. Temos que parar com essa certa mania de grandeza”, propõe. “A iniciativa privada tem boas ideias, como Walking Tours. Também destaco os passeios por cemitérios. Há oportunidades a serem exploradas”. O PROFISSIONAL Eduardo Silveira cita o “fio da navalha” encarado pelos profissionais de turismo diante de certas situações, como ter que contornar situações que, inicialmente, não seriam de sua competência. “É ser obrigado a controlar tudo: a partir de um número de pessoas, precisa providenciar uma ambulância, ou se acontece algum tipo de incidente. Também precisamos falar sobre a adoção do seguro viagem, não apenas para viagens internacionais, mas internas também”, aponta. Silveira lembra ainda que os conflitos internacionais, e outros, vêm afetando a economia global, que está abalada. “O que acontece por conta disso? A pessoa viajar mais pelo Brasil. Então, em 2025, nós batemos recordes de venda de passagem aérea, de voos no Brasil. O fato é que precisamos também entender que é o momento de aproveitar essa oportunidade, valorizando o turismo interno com uma boa retaguarda”, recomenda. PARTICIPAÇÃO NO ESTUDO O presidente da APT lembra que participou do estudo sobre o turismo em Santos, realizado pela Associação Comercial (leia mais na página 41), onde o perfil do profissional de turismo foi desenhado, com seus anseios e dores. Segundo ele, o trabalho junto à categoria deve ser constante. “Quando você fala que um profissional está se sentindo desamparado e inseguro, vai fazer a lição de casa para entender qual era essa insegurança. Por exemplo: ele programa ou recebe um grupo e não sabe se o ponto turístico está aberto ou não, porque às vezes ele liga, ninguém atende; é difícil você comprar o ingresso, com pagamento apenas em dinheiro. Então, tem muitas dificuldades”, relata. É nosso papel fomentar o turismo, que tem crescido de forma orgânica, pois há demanda. Há empresários querendo investir e excelentes profissionais na nossa região, Eduardo Silveira, presidente da Associação dos Profissionais de Turismo (APT) (Alexsander Ferraz/AT) Silveira entende que a formação de pequenos grupos organizados, como cooperativas, pode ser uma saída para esses profissionais. “Essa pesquisa mostrou o quanto os profissionais estão machucados, doloridos de há tanto tempo estarem lutando pelo turismo, trabalhando, se esforçando sem apoio. Então a pessoa se vê realmente em algum ponto e fala ‘opa, eu estou vulnerável e aí eu vou me juntar em pequenos grupos’. Temos trabalhado isso internamente na APT como prioridade para encontrar caminhos”. O projeto Roda SP permitia, a preços acessíveis, passeios por toda a extensão da região (Vanessa Rodrigues/AT/Arquivo) RODA SP Quando se fala em turismo regional, uma memória afetiva aos moradores da Baixada Santista vem à tona: o projeto Roda SP, que permitia, a preços acessíveis, passeios por toda a extensão da região. O programa da Secretaria de Turismo foi criado em 2011 e funcionava no sistema “hop on, hop off”, em que o passageiro podia embarcar e desembarcar nos pontos turísticos ao longo do dia com um único ingresso, que chegou a custar R\$ 10,00. Na Baixada Santista, o programa foi suspenso no início de 2019.