[[legacy_image_354619]] Trânsito nas grandes cidades, transportes coletivos cheios e atrasados, perda de tempo e muita reclamação. Boa parte do cenário da mobilidade urbana está descrito dessa forma, demonstrando que o chamado ir e vir, um direito constitucional, enfrenta muitos obstáculos. Isso é fruto de falta de planejamento e só pode ser resolvido se os erros do passado não se repetirem no futuro. Esta avaliação é dos participantes do terceiro fórum do projeto A Região em Pauta. O evento ocorreu na última segunda-feira, tendo como tema Mobilidade Urbana. Diversas soluções já debatidas foram detalhadas, como o túnel ligando Santos a Guarujá. Outras alternativas acabaram sendoreveladas, como a possível instalação de um trem de São Paulo para a Baixada. Porém, o principal ponto colocado pelos convidados foi a necessidade de dar passos calculados, a fim de que as decisões de agora resolvam dificuldades hoje e daqui a várias décadas. “Temos de pensar em solucionar os problemas imediatos, aqueles com os quais se convive no dia a dia. Mas, mais do que isso, temos de pensar como vão estar resolvidas estas questões para o futuro, de que maneira as nossas cidades estarão consolidadas daqui a 50 anos”, destacou o presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET), Antônio Carlos Silva Gonçalves. O gestor ligado à administração municipal santista também destacou que o poder público e a iniciativa privada devem ser certeiros em suas ações. “Falar de mobilidade é falar de planejamento, de informação. Não podemos errar. É fundamental que os municípios sejam planejados”. Foi o que faltou há quase 100 anos. Nos anos 1930, grandes empresas vieram para o Brasil, provocando um êxodo do campo para os centros urbanos. A vinda de pessoas do campo atrás dos empregos recém-criados provocou um crescimento desordenado nos municípios, criando gargalos sentidos até os dias atuais. Santos é um exemplo dessa situação. “É cidade com urbanização antiga, consolidada, verticalizada e plana, sem alternativas, como viadutos”, cita Gonçalves. Por circunstâncias como estas, o secretário de Infraestrutura e Obras de Guarujá, Adilson Luiz de Jesus, destacou a necessidade de mais atenção ao assunto, inclusive em sua cidade. “O tema é extremamente importante. Temos três saídas de veículos no município: para Bertioga, Santos e a Cônego (Domênico Rangoni), além de uma saída de pedestres em Vicente de Carvalho. E somos uma ilha. Temos uma situação bem complicada”. O secretário de Guarujá concordou com o presidente da CET, que fez uma ponderação: “Antes, a gente dizia que ia a cidade, porque o único lugar de comércio eram os centros. Isso se distribuiu. Agora, cada bairro tem sua formação comercial. A gente precisa de planejamento, de perspectiva. A partir daí, teremos cidades mais equilibradas e com qualidade de vida”.