Gabriela Manssur participou de forma remota do encontro: potência (Alexsander Ferraz/AT) Sessenta segundos, contados dez a dez, numa pausa em silêncio. A demonstração do tempo levado por um agressor para desferir 60 golpes em sua vítima chamou a atenção para a brutalidade nos gestos de um criminoso. Esse foi um dos recados durante a palestra que finalizou o fórum A Região em Pauta, proferida pela advogada, ex-promotora de Justiça, especialista em Direito das Mulheres, criadora do Instituto Justiça de Saia Gabriela Manssur. De forma remota, ela falou por quase 30 minutos - tempo em que 15 mulheres são agredidas, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública de SP. “Nós tivemos um aumento de praticamente 7% (2025 em comparação com 2024), 25% foi morta por tiro. A maioria dos crimes dentro de casa. O lugar que deveria ser aquele mais seguro, é onde é assassinada, geralmente pelos seus companheiros ou ex-companheiros - muitas vezes o pai que mata a mãe dos próprios filhos”, pontua. Gabriela lembra que os crimes de feminicídio têm materialidade clara, sem chance para subnotificações. “Há um corpo, um boletim de ocorrência, um inquérito policial, que é concluído pela morte violenta de uma mulher”. Subestimando a violência A advogada pondera que, em alguns casos, a mulher subestima a violência, em torno de não se alterar um status social ou de dependência econômica. “Uma das mulheres mortas tinha rompido o relacionamento e ia até alugar uma casa. Mas, em algum momento de esperança com a mudança do parceiro, com medo de denunciar ou a vergonha de falar que é vítima de violência ou de perder a guarda dos filhos, ela volta. E é nesse momento que perde a sua vida. Diante disso, Gabriela Manssur prega a existência de alguns pilares para a “virada de chave” das mulheres vítimas da violência. “Estudem e trabalhem. É a independência financeira que vai fazer com que nós consigamos tomar as providências numa situação de violência. Além disso, aprendam a reconhecer os sinais da violência”, cita. A palavra de ordem, segundo ela, é esperança. “O Instituto Justiça de Saia acolhe as vítimas de violência doméstica e facilita a inclusão no mercado de trabalho. Todas nós temos que ter a esperança de que tem vida após a violência, antes que seja tarde. Vamos conseguir diminuir os índices de feminicídio. Porque quem salva uma, pode salvar todas”.