[[legacy_image_263293]] A questão dos abrigos foi um dos temas debatidos ao longo do fórum A Região em Pauta, que aconteceu nesta segunda-feira (24), mas a discussão passou longe da quantidade de vagas disponibilizadas. O ponto central foi que, segundo a terapeuta e docente do Departamento de Políticas Públicas e Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Luciana Surjus, regras impostas à população em situação de rua nos locais de acolhimento são desestimulantes para esse público. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A especialista, que coordena um programa da Unifesp de redução de danos, justifica: “Se ofereço vaga em abrigo para família, mas, aceitando, é preciso dissolver a família, a minha solução promove violência, viola direitos. Muitos não quiseram sair da rua por terem sensação de estarem submissos a algo que não resolve seus problemas”. Luciana Surjus ainda afirma que “pessoas se protegem nas drogas, fugindo de serviços públicos. É assustador. Há serviço para promover e garantir direitos sendo visto como algo que tira direitos”. A professora aponta alguns caminhos possíveis para que os lugares de acolhimento passem a ser mais atrativos. “É preciso um conceito de baixa exigência. Isso não significa ausência de exigência, mas que seja possível cumprir. Tem que ir subindo etapas. Quem está mais fragilizado e desorganizado, necessita de mais apoio, privacidade, com soluções de residência mais definitivas do que provisórias, que vão possibilitar outros acessos”. A prefeitura de Santos se posicionou sobre as críticas. Em nota, a administração municipal informa que “oferta equipamentos destinados a esse público que têm regras básicas de higiene. Todos recebem kits para banho e higiene bucal, além das refeições servidas nos horários habituais. Há, inclusive, baias para os cães dessas pessoas. Não é permitido uso de drogas nas unidades”.