[[legacy_image_263295]] Embora a Prefeitura de Santos ofereça diversos serviços para pessoas em situação de rua, 63,2% dos moradores da cidade não sabem nada ou dizem conhecer pouco sobre todas ações da administração municipal. Esta informação foi obtida por meio de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT). O nome do levantamento de opinião, para o qual foram colhidas 527 entrevistadas, entre os dias 15 e 17 deste mês, chama-se Campanha Assistência Social População em Situação de Rua. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O desconhecimento ficou destacado quando os munícipes tiveram de responder sobre alguns dos principais trabalhos do poder público. Para que se tenha ideia, 68,9% não conhecem o Centro Pop, local de referência da cidade, no qual acontecem encaminhamentos para abrigos, acesso a documentos e afins. Além disso, 76,1% afirmaram desconhecer espaços para tratamento em álcool e drogas, como o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). Também chama atenção o fato de que o serviço mais “famoso” é o Bom Prato. No total, 93% sabem de sua existência. Só que este projeto é do governo do Estado, sendo feito em parceria com as prefeituras. E mais: somente 38% disseram saber que a Guarda Civil Municipal (GCM) possui uma central de atendimento (telefone 153), que ajuda nas abordagens. Finalizando o assunto, 79,5% dos entrevistados confirmaram não conhecer campanhas ou materiais informativos sobre os serviços ofertados. Outros dadosOs entrevistados também responderam sobre o enfrentamento desta problemática. Para 47,7%, poder público e sociedade devem trabalhar juntos. Já 23,1% acreditam que o tema é de responsabilidade apenas dos gestores públicos. Por outro lado, 19,5% entendem que o cenário precisa da atuação de toda a sociedade, por estar ligada à desigualdade social. Deste modo, aqui, há um empate técnico na segunda colocação deste quesito, já que a margem de erro é de 3,5% pontos percentuais para mais ou para menos. Em outro questionamento, 71,1% confirmaram que ajudam indivíduos que vivem nas ruas, dando dinheiro, roupas ou outras formas de auxílio — este percentual envolve desde quem sempre dá até aqueles que quase nunca doam. Detalhe: praticamente a mesma quantidade (70,4%) concorda, parcial ou totalmente, que dr esmolas incentiva as pessoas a permanecerem nesta situação. [[legacy_image_263542]] [[legacy_image_263328]] Prefeito comentaCiente dos números da pesquisa do IPAT, o prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), recebeu a Reportagem e comentou os dados. “Vemos que existem discrepâncias até no sentimento das pessoas: ‘Fico com pena, mas não quero a pessoa aqui’. Isso se comprova com os resultados: só 28,7% nunca dão esmola — o resto dá. Além disso, mais de 75%, de alguma forma, dão esmolas, sabendo que, com isso, perpetuam esta condição”. O chefe da administração municipal também falou sobre a concepção de que poder público e comunidade devem atuar juntos. “(Cerca de) 75% da população concorda que este não é um problema só do poder público, mas também da população. Há o entendimento de que todos temos de agir juntos. O poder público sozinho não dá conta deste processo”. Ainda neste sentido, o prefeito disse, reiteradas vezes, que uma das formas de os munícipes colaborarem é não dar esmolas. “Não adianta o poder público agir se a sociedade vai na contramão, porque cria-se uma situação em que ninguém consegue resolver nada. (Doação de dinheiro, comida ou roupa) pode se transformar na recuperação de uma pessoa, mas também pode se transformar na compra de armas e droga. A esmola, muitas vezes, vira uma bebida alcoólica ou uma pedra de crack”. Encerrando, Rogério Santos assegurou que sua equipe está “produzindo um trabalho para divulgação ampla em rádio e televisão”, embora todas as informações e serviços estejam no site da prefeitura. “Há um desconhecimento. Então, é importante conscientizar a respeito de quais são os programas oferecidos”. A única coisa que não vai ser feita, segundo ele, é usar de violência contra quem mora na rua. “Fazemos tudo que a lei pede, que as políticas públicas solicitam. Trabalhamos dentro da legalidade, mas muitos querem que exerça o poder de força, com o qual não pactuamos ”.