(Reprodução) Trinta anos são tempo suficiente para transformar uma boa ideia em resultados concretos. Também são tempo suficiente para perceber quando o potencial de um projeto ainda está longe de ser plenamente aproveitado. A Região Metropolitana da Baixada Santista chega a essa marca carregando conquistas importantes, mas também convivendo com uma sensação recorrente: a de que continua funcionando muito mais como a soma de nove cidades do que como um território capaz de pensar e agir de forma integrada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É inegável que houve avanços. O planejamento regional ganhou instrumentos permanentes, as administrações municipais passaram a dialogar com maior frequência e temas que antes eram tratados isoladamente passaram a fazer parte de uma agenda comum. Condesb, Agem e Fundo Metropolitano constituem uma estrutura institucional rara no País e oferecem as ferramentas necessárias para construir soluções compartilhadas. Mas ferramentas, por si só, não resolvem problemas. É preciso utilizá-las com objetivos claros, continuidade administrativa e disposição política para colocar o interesse regional acima das prioridades locais. Ainda há excesso de diagnósticos e escassez de projetos estruturantes efetivamente executados. Poucos exemplos ilustram melhor essa necessidade do que a saúde pública. O paciente não conhece fronteiras municipais quando precisa de atendimento. Hospitais de referência recebem diariamente moradores de diferentes cidades, enquanto filas, regulação e oferta de especialidades continuam exigindo uma gestão verdadeiramente regionalizada. Planejar investimentos em saúde sem considerar esse fluxo significa desperdiçar recursos e perpetuar desigualdades. A mobilidade também permanece como um desafio cotidiano. Milhares de pessoas cruzam diariamente os limites entre os municípios para trabalhar, estudar ou acessar serviços. O sistema viário, o transporte coletivo, as ligações entre as cidades e a integração com o Porto de Santos precisam ser tratados como uma única engrenagem. Há ainda uma discussão que precisa ganhar protagonismo: o desenvolvimento econômico regional. O Porto de Santos continuará sendo o principal motor da Baixada Santista, mas não pode ser o único. A região reúne universidades, centros de pesquisa, vocação turística, economia do mar, potencial logístico, tecnologia, inovação e serviços especializados capazes de diversificar sua matriz econômica. Transformar essas vocações em políticas permanentes, atração de investimentos e geração de empregos qualificados talvez seja o maior desafio das próximas décadas. Pensar regionalmente exige compreender que desenvolvimento não é competição entre cidades, mas cooperação. Os mecanismos existem. A experiência foi acumulada. O conhecimento técnico está disponível. O que falta é transformar essa estrutura em decisões compartilhadas, investimentos consistentes e projetos capazes de atravessar mandatos. Arminda Augusto é gerente de Projetos do Grupo Tribuna.