O filósofo romano Juvenal foi o primeiro a fazer a relação entre “mente sã, corpo são”. E, séculos depois, a frase faz cada vez mais sentido. Um cuidado psicológico é vital para quem busca melhora na qualidade de vida. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Nós começamos a perceber que, para tratar a obesidade, tínhamos que tratar também a saúde mental desse paciente”, explica a coordenadora do Núcleo de Estudos da Obesidade (NEO) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), Leorides Severo Duarte Guerra, Para ela, se a pessoa já tem um quadro de ansiedade, antes mesmo do de obesidade, a atenção é ainda maior. “Se tenho um paciente em surto bipolar, por exemplo, não tem como ele iniciar nenhum tratamento enquanto não estabilizar aquela conduta dele. Quando estabiliza, temos uma trilha de tratamento. Se percebo que está descompensado, a primeira providência é encaminhá-lo ao psiquiatra. Depois, segue endocrinologista, nutricionista, educação física e psicólogo”. Mais mulheres Leorides conta que, no NEO, a maior procura é por mulheres, até porque elas têm mais cuidado e admitem mais os sintomas. “Mas, nos últimos anos, a gente tem observado uma progressão, leve ainda, dos homens. No caso delas, a faixa entre 30 a 50 anos é a que mais busca apoio”. Segundo ela, durante a pandemia, foi feita uma pesquisa por telefone que atestou que os níveis de ansiedade e depressão fizeram subir as taxas do IMC. “Todos os pacientes com obesidade que vão se submeter ao emagrecimento precisam ter um acompanhamento psicológico. Porque isso vai trazer não só uma alteração bioquímica que vai mexer com o humor, mas hoje também tem se falado muito do eixo cérebro e intestino. Todo paciente tem essa conexão”. A especialista aponta, ainda, que uma alteração no organismo afeta toda uma cadeia neurológica. “Temos que entender o que aquele corpo representa para aquele paciente. Muitas vezes, aquele corpo traz uma mensagem, emocional, de defesa, medo ou frustração. É preciso remover isso de forma tranquila, sem que cause um dano ao paciente”.