Mohamad Rahim: “É preciso acreditar no potencial dos nosso jovens” (Alexsander Ferraz/AT) Não se trata de ampenas ampliar a jornada do estudante dentro da escola. A questão é maior: é envolver todos os personagens no propósito da Educação, é acreditar no protagonismo do aluno, na sua capacidade de conexão com a escola. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em linhas gerais, esse foi o consenso final do primeiro fórum deste ano do projeto A Região em Pauta, com o tema Educação em Tempo Integral, uma das metas do Plano Nacional de Educação e que tem provocado uma série de mudanças na programação de escolas públicas da região. O evento ocorreu na última segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna. Ética Para o secretário de Educação de Guarujá, Mohamad Rahim, a ética é a questão fundamental para que a escola de tempo integral tenha sucesso como projeto de educação integral e não se reduza a uma simples ampliação da jornada escolar. Segundo Rahim, embora aspectos como financiamento, infraestrutura e formação continuada sejam relevantes, eles não são suficientes para garantir transformação. “Não é o desafio do financiamento, apesar de ser extremamente importante. Não é o desafio da infraestrutura, apesar de ser importante também. É uma questão ética”, afirmou. Para ele, essa ética está relacionada à forma como o educador se relaciona com o estudante. “Quando me refiro à ética, é a maneira como eu olho o outro, a maneira como eu trato o outro”. Acreditar no jovem Ao comentar as falas dos alunos do Parque dos Sonhos (veja matéria na página 48), o secretário afirmou que depoimentos inspiradores só são possíveis quando há adultos que acreditam nas potencialidades dos jovens. Segundo Rahim, mesmo com investimentos elevados, a educação integral não alcança seu objetivo sem essa postura. “Todo esse investimento, na prática, não traz a transformação desejada se você não tem uma ética do cuidar, que acredita na possibilidade de transformação”. Transformação Rahim compartilhou ainda sua experiência pessoal como estudante da rede pública, marcada por dificuldades de aprendizagem. “Eu era um dos alunos que mais davam trabalho”, relatou. Hoje, como gestor, afirmou refletir sobre quantas crianças poderiam ter seu potencial desenvolvido se tivessem encontrado esse olhar ético. “Quantos jovens poderiam ter o seu potencial descoberto e desenvolvido se tivessem alguém que acreditasse na possibilidade da transformação”. Ao diferenciar os conceitos, o secretário destacou que a ampliação do tempo, por si só, não garante educação integral. “A escola de tempo integral é um meio. A educação integral é o fim”, disse. Segundo ele, o maior desafio está em garantir que a escola de tempo integral seja acompanhada de uma formação integral do estudante, baseada em princípios e não apenas em carga horária. O que é? Educação em tempo integral é aquela em que o estudante permanece na escola por, no mínimo, sete horas diárias, ampliando o tempo de aprendizagem para além das disciplinas tradicionais e integrando atividades culturais, esportivas, científicas e de formação cidadã. Mais do que aumentar a carga horária, essa modalidade busca o desenvolvimento integral do aluno em seus aspectos cognitivo, social, emocional e físico. No Brasil, o Plano Nacional de Educação (PNE), vigente para o período de 2014 a 2024, estabelece como Meta 6 a oferta de educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, atendendo pelo menos 25% dos alunos da educação básica. O PNE também define estratégias para garantir infraestrutura adequada, formação de professores e articulação com políticas sociais.