Obesidade foi tema da última edição do fórum A Região em Pauta; encontro reuniu especialistas. (Sílvio Luiz/ AT) Dados da Pesquisa Vigitel 2025 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada pelo Ministério da Saúde no início de fevereiro, mostraram um crescimento de 118% na obesidade no País entre adultos, no período entre 2006 e 2024. No mesmo período, também houve aumento expressivo nos casos de diabetes (135%), excesso de peso (47%) e hipertensão arterial (31%). Os números são claros: o alerta do cuidado contra a obesidade está definitivamente ligado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Pois o debate com especialistas sobre formas de tratamento, em especial as chamadas canetas emagrecedoras, cuidados psicológicos, atividade física e mudanças na alimentação deu o tom de mais uma edição do fórum A Região em Pauta, cujo encontro foi realizado na última segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna. “A obesidade não pode ser explicada apenas pelo balanço energético. Ela envolve regulação hormonal, adaptação metabólica e comportamento. Por isso, não pode ser tratada apenas com redução de calorias, exige entender o organismo como um todo. É algo global, uma doença que acomete várias partes do nosso corpo. Então, a gente também tem que olhar de uma forma multidisciplinar para poder tratar”, explica a professora de Educação Física, especializada em emagrecimento, Gabriela Nogueira de Silos Napolitano. A nutricionista especializada em Nutrição Clínica, Vivian Roberta de Toledo, vai na mesma linha.“No ano passado, o Atlas Mundial da Obesidade mostrou que até 2030 nós teremos 3 bilhões de pessoas com sobrepeso e obesidade. Por isso é tão importante o tratamento de obesidade. Tem pessoas que apenas mudam o seu estilo de vida e têm o resultado. A gente tem a cirurgia bariátrica e, agora, os medicamentos injetáveis”. O mental e o clínico A preocupação com o aspecto psicológico, na jornada para emagrecimento e melhora na qualidade de vida, é destacada pela coordenadora do Núcleo de Estudos da Obesidade (NEO) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), Leorides Severo Duarte Guerra. “Na minha prática clínica, comecei a observar padrões de comportamentos desses pacientes com obesidade. Observamos que pacientes com obesidade grave — cerca de 80% deles — apresentam pelo menos um transtorno psiquiátrico, sendo o mais comum o de ansiedade”, aponta. A endocrinologista Juliana Dal Ben Pádua de Martino reforça que a obesidade está ligada a diversas comorbidades, sendo que exames clínicos e laboratoriais ajudam a identificar e mapear problemas.“Tratar a obesidade, na verdade, é buscar saúde. A perda de peso é consequência disso. A gente está buscando a saúde e, com isso, a gente vai perder peso”, sinaliza.