[[legacy_image_316269]] Na arte, não se vive. Somente se sobrevive. Esta é a conclusão do artista visual e filósofo Maurício Adinolfi, um dos participantes de A Região em Pauta. Ele confirmou que não é simples, para quem milita na área, subsistir. “Às vezes, para não dizer sempre, é uma luta a sobrevivência”, confirmou, citando um exemplo. “O samba sobreviveu sofrendo. Muitos compositores morreram pobres, porque não recebiam por suas composições”. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o especialista, tudo isto ocorre, entre outras coisas, devido à má vontade do poder público para liberar recursos. “Todas as áreas têm subsídios, editais. Mas, quando se fala em cultura, em subsídio para artista, aquilo vira um problema. Só que não é problema, é política pública cultural. Então, por que ela pode ser excluída? Isso não existe, não pode ser aventado”, decretou. Apesar das dificuldades para o recebimento de verbas, o filósofo entende que, sim, a melhora do cenário passa por mais ações dos gestores municipais, estaduais e federais. Por isso, seu desejo é de que os incentivos aumentem. Afinal, se com os obstáculos enfrentados, “o Brasil é conhecido no mundo” todo por sua cultura, o que seria em caso de mais auxílio e dinheiro? “No nível federal e nas cidades, a cultura tem o menor percentual de verba dedicada entre ministérios e secretarias. Porém, se invertêssemos, o que seria da nossa cultura, com grandes políticas? Seria uma grande maravilha”, assegurou o especialista. VisualEmbora grande parte de suas falas tivesse como alvo a questão financeira, Maurício Adinolfi também comentou sobre a necessidade de que a Baixada Santista e a nação passem a oferecer mais ambientes culturais visuais. O artista citou que há poucos museus no território nacional. “Quando comparamos com outros países, é absurdo. Alguns lugares que são do tamanho de São Paulo têm 300 museus. Aqui, a gente não tem. Só alguns sobrevivem”, lamentou. Aliás, ele afirmou que faltam, na região, mais espaços que contem a história marítima. “Não temos museu marítimo - existem só dois no Brasil. Em Portugal, cada cidade tem um, que desenvolve planos de trabalho”, comparou. Espaços de CulturaDe fato, assim como disse o artista visual, a Baixada Santista possui poucos museus públicos. Das cidades que concederam informações para A Tribuna, só Itanhaém apontou a existência deste tipo de equipamento. Lá, há dois locais deste tipo: o Conceição de Itanhaém e o Virtual de Itanhaém. No entanto, o município conta com outras alternativas, como as casas da Música Ernesto Zwarg e da Dança Julia Bebiano, o Gabinete de Leitura José Rosendo, o Centro de Capacitação do professor e Teatro Eva Wilma, a Biblioteca Municipal Poeta Paulo Bomfim, a Pinacoteca Alfredo Volpi, o Cinemar Itanhaém e a Sala de Leitura Harry Forssell. Por sinal, as demais localidades da região também disponibilizam opções. Santos, por exemplo, é onde existem mais espaços: 27 ao todo. Moradores e turistas encontram um centro cultural, quatro teatros, seis salas públicas de cinema, seis bibliotecas, uma gibiteca e nove Vila Criativas. Já em São Vicente, estão: Espaço Multicultural, Casa Martim Afonso, Parque Cultural Vila de São Vicente e Oficinas Culturais Professor Oswaldo Névola Filho. A população guarujaense usufrui de quatro equipamentos. Um deles é a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande. Ainda, existem o Forte da Vera Cruz de Itapema (Forte do Itapema), Usina Cultural e o Teatro Municipal Procópio Ferreira. Mongaguá tem uma biblioteca. Além disso, há o Centro Cultural Raul Cortez, a sala de teatro Ronaldo Ciambroni, o Complexo Cultural, a Escola Municipal de Ballet e o Centro Cultural Antônio Pires de Abreu. Em Peruíbe, está a Biblioteca Municipal. Por sua vez, Cubatão oferece Casa Histórica no Parque Anilinas, Estação das Artes, CEU das Artes e dos Esportes, Bloco Cultural, Biblioteca Municipal e duas sucursais da biblioteca. Finalizando, Bertioga conta com cinco polos culturais. Praia Grande não enviou suas informações. Orçamentos e disparidadeComo consta na matéria que abre esta página, Maurício Adinolfi disse que a cultura tem verbas pequenas nas esferas federal e municipal. Diante disto, A Tribuna procurou as prefeituras da Baixada, questionando quais são os orçamentos da pastas. O que se constatou é que, de fato, há disparidade na distribuição das verbas. Das nove cidades da região, Santos é a que, percentualmente, tem menor diferença entre Cultura e a secretaria com mais recursos, que é a de Saúde. Conforme a administração, para o ano que vem, estão previstos, respectivamente, R\$ 64,1 milhões e R\$ 903 milhões. Portanto, os valores idealizados para a primeira correspondem a 7,1% do total do setor com mais dinheiro. Em Guarujá, a diferença é maior. Enquanto Educação recebeu, em 2023,R\$ 656.069.000,00, a área cultural ficou com R\$ 11.838.000,00, ou seja, 1,8% do montante da pasta com mais investimentos. Já em Itanhaém, o percentual é de 1,05%. Afinal, foram direcionados para a área R\$ 2.312.000,00 e R\$ 212.041.500,00 para Educação. Com relação a Peruíbe, a cidade é a que tem o número mais baixo: 0,24%. Isso porque, enquanto a Educação vai ficar com R\$ 130.606.500,00, em 2024, a secretaria de Cultura vai contar com R\$ 310 mil. Cubatão tem orçamento de R\$ 256 mi para Educação e R\$ 12 mi para Cultura. Portanto, o índice é de 4,7%. Por sua vez, São Vicente se limitou a informar que “a dotação orçamentária da Cultura, em 2023, foi de R\$ 5.042.400,00”. Já Mongaguá afirmou que a área receberáR\$ 2.323.000,00. Praia Grande e Bertioga não responderam.