(Adobe Stock) Se as crianças de hoje estão cada vez mais antenadas em tecnologia, por que não aproveitar essa fase da vida para estimular ensinamentos sobre economia e educação financeira? Pois um professor de Guarujá vai nesse caminho e vem trabalhando com alunos da rede pública de ensino. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para Ademir Machado, que leciona Matemática e Educação Financeira para o 5º ano (Fundamental I) na Escola Professora Ivonete da Silva Câmara, em Vicente de Carvalho, a tarefa promete bons frutos. “Minha classe foi escolhida, há dois meses, para fazer parte de um projeto-piloto do Governo Federal chamado Na Ponta do Lápis. Os alunos têm 10 anos, são de uma comunidade carente, e tratamos de coisas bem pontuais para eles”, explica. “Eles vão entender o que é juros, o que é empréstimo e o poder de compra à vista.” Para Ademir Machado, meta é apresentar o “mundo real” a estudantes (Vanessa Rodrigues/AT) A questão da compra à vista ou da incidência de juros nas aquisições a prazo precisa ser explicada de forma didática às crianças. “Eles não têm noção do que é juros. E, se não têm essa noção, acham normal parcelar uma compra em várias prestações sem avaliar o valor final. E o programa traz isso para eles: explicar que dinheiro custa dinheiro, que não cai do céu.” Troco? Nas suas vivências com os alunos, Ademir Machado observa outra característica presente nas crianças: não saber o que é o troco, por não utilizar mais notas e moedas com a frequência de gerações anteriores. “Eles têm celular, até usam PIX, mas há essa dificuldade com o troco. É outra geração. Isso a gente tem um próprio diagnóstico na prefeitura, sobre uma questão que envolve dinheiro físico. Eles não conhecem. Não é da geração deles”, acentua. Letramento O professor argumenta que o programa Na Ponta do Lápis vai abranger todas as visões de educação financeira, também chamado de letramento financeiro. “Eles vão ver a parte financeira, a parte social e também a comportamental. Ajudar as crianças a entender alguns termos que são feitos na televisão, principalmente em questão de propaganda. O programa vai avançar até o nono ano e eles vão ter acesso a tudo isso”, pontua. Segundo ele, em outros tempos, programas de educação financeira centravam foco em questões de pura matemática, como juros simples e compostos. “Aí chega uma outra apostila, depois de dois, três anos, falando da parte conceitual, mas ele estava na parte de cálculo. Agora surge o letramento financeiro.” O professor da rede municipal de Guarujá entende que a criança é um espelho do meio em que ela vive, em todos os aspectos, e o financeiro também. “Esse é o grande desafio da educação, em todos os aspectos: mostrar para a criança que a coisa não é daquele jeito, que ela só vai ter dinheiro trabalhando, que ela precisa produzir.”