Projeto Porto dos Livros, na UME Demóstenes de Britto: bate-papo com escritores integra o currículo (Sílvio Luiz/AT) A vice-prefeita e secretária de Educação de Santos, Audrey Kleys, diz que a educação pública precisa avançar para um modelo de maior uniformidade de excelência e qualidade entre os municípios, especialmente na educação integral, para evitar prejuízos à aprendizagem de alunos que mudam de escola e de cidade ao longo da trajetória escolar. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Audrey destaca que a mobilidade dos estudantes na Baixada Santista é uma realidade constante e precisa ser considerada na formulação das políticas públicas. Segundo ela, muitos alunos passam por diferentes municípios em um curto espaço de tempo, o que exige uma maior articulação entre as redes. “O aluno está em São Vicente, depois vai para Santos, Guarujá, muda para Peruíbe, depois Bertioga”, afirma, ao reforçar que gestores precisam estar atentos a esse movimento. De acordo com a secretária, esse cenário torna essencial a construção de uma harmonia regional no atendimento educacional, para que não haja diferenças significativas de aprendizagem conforme o município onde o estudante esteja matriculado. Ela ressaltou que a educação integral deve ser compreendida como uma política estruturante, baseada em dados, demandas reais das escolas e decisões coordenadas entre as gestões. Reduzir desigualdades Audrey também cita a importância da troca de experiências entre os nove municípios da Baixada Santista. Segundo ela, encontros realizados com a participação das secretarias municipais permitiram compartilhar práticas, identificar o que deu certo, o que precisa ser ajustado e quais caminhos podem ser construídos coletivamente. Para a secretária, essa cooperação contribui para reduzir desigualdades e oferecer mais segurança às famílias. “A família não pode sentir que precisa mudar de cidade para ter um atendimento melhor”, afirmou Audrey ao defender que os municípios trabalhem para garantir um padrão de qualidade semelhante. Segundo ela, o objetivo é que pais e responsáveis se sintam confortáveis em manter seus filhos na rede pública da própria cidade, com a certeza de que terão um atendimento adequado. A vice-prefeita reforça que essa uniformidade passa por diversos aspectos, como infraestrutura, formação permanente dos profissionais, acompanhamento pedagógico e organização da jornada escolar. Ela destacou ainda que a educação integral não pode ser tratada como uma política isolada, mas como parte de um conjunto de ações que envolvem avaliação, monitoramento e participação da comunidade. Outra prioridade: alfabetização na idade certa A alfabetização na idade certa é uma prioridade da rede municipal, segundo a secretária Audrey Kleys. Para ela, esse desafio exige articulação entre os municípios da Baixada Santista, já que muitos alunos mudam de cidade ao longo da vida escolar. Audrey também aponta a importância dos projetos intersetoriais que conectam escola, território e cidadania. Segundo ela, desde o ano passado, outras secretarias passaram a abrir seus espaços para os alunos da rede municipal, ampliando o uso dos equipamentos da cidade como espaços educativos. Ela citou, por exemplo, o acesso de estudantes a pontos turísticos, algo que antes não fazia parte da rotina dos alunos da rede. A educação inclusiva também foi abordada. Audrey afirmou que todos os estudantes com deficiência têm direito ao acompanhamento no período integral, com profissionais de apoio, e que essa garantia foi fundamental para dar segurança às famílias na escolha pelo modelo integral. Desempenho Audrey Kleys explica que é preciso um trabalho articulado para que a implantação do período integral também represente melhoria no desempenho dos indicadores educacionais. Segundo ela, o município intensificou as avaliações desde o início do ano passado para obter diagnósticos mais precisos e identificar fragilidades e potencialidades da rede. Ela reconheceu que, apesar de Santos ser vista como referência em educação integral, ainda há muitos desafios. A secretária explicou que as avaliações são realizadas de forma trimestral e orientam ações de recomposição das aprendizagens, tanto no período regular quanto no período integral, especialmente em escolas com desempenho inferior no Ideb. Envolvimento familiar Além das avaliações, Audrey destaca a importância do clima escolar e da participação das famílias. Segundo ela, todas as escolas da rede municipal estão climatizadas, mas o sucesso da aprendizagem vai além da infraestrutura. A secretária afirmou que a Secretaria de Educação tem cobrado das famílias maior participação e acompanhamento, ressaltando que a alfabetização na idade certa depende também do envolvimento dentro de casa. “Período integral não é um depósito”, afirma, defendendo que o modelo precisa estar comprometido com o desenvolvimento pleno do estudante, integrando aspectos pedagógicos, sociais, culturais e emocionais.