[[legacy_image_278336]] Precisamos pensar nas futuras gerações. Foi com esta consideração que o professor Ronaldo Christofoletti, coordenador do Instituto do Mar, da Unifesp Baixada Santista, finalizou sua primeira fala no quinto fórum deste ano do projeto A Região em Pauta. Desta vez, o tema do seminário foi Mudanças Climáticas. Para chegar a esta conclusão, o pesquisador explanou sobre todo o panorama do aquecimento global, focando no aumento de temperatura do ar no Litoral Brasileiro. Christofoletti foi taxativo ao dizer que os reflexos do efeito estufa já são realidade e vão trazer comprometimento por anos. A saída, explicou, é a mudança de comportamento por parte de governos, empresas e sociedade, cada um cumprindo seu papel. “Não estamos falando em planejar o futuro. É agora. O calor está aumentando e vai continuar aumentando. Mas, como começamos a mudar, para ter um mínimo de condições saudáveis de vida nas próximas décadas, garantindo uma mudança de longo prazo, para que nossos filhos, netos e bisnetos não sofram mais do que vão sofrer? Está posta a mudança do clima e cabe a nós discutirmos”, enfatizou. Embora este discurso aponte para a segurança e a saúde daqueles que ainda vão nascer, o pesquisador ressaltou que as transformações precisam começar de forma imediata. Por sinal, ciente de que isto passa pelo poder público, ele declarou que “temos de conversar e dialogar com os níveis do governo, para entender o que tem sido feito para descarbonizar (o país). Necessitamos de mais ações efetivas nos níveis federal, estadual e municipal”. Dentro daquilo que chamou de “ações efetivas”, Christofoletti elencou algumas medidas que entende serem essenciais. Uma delas é “desacelerar o processo de carbonização, para emitir menos gás carbônico, com mais adaptações (nas cidades)”. Outra iniciativa destacada pelo professor, que estuda as mudanças climáticas há tempos, foi arborizar centros urbanos. No tempo de Criança“Quando a gente era pequeno, tinha mais árvores na cidade. Só que adoramos remover árvores e construir prédios no lugar. Aí, na rua, todo mundo procura sombra, porque sabe que ela é importante, mas tiramos as sombras naturais. E, quando tem muito concreto por perto, piora a situação, porque ele absorve o calor e fica ainda mais quente. Então, construo mais, tiro árvores e compro ar-condicionado. Só que tem um detalhe: o ar libera gás carbônico, que deixa o planeta mais quente”, destacou o pesquisador, para quem a relação entre construção civil e arborização das cidades precisa ser muito próxima. Esse contexto fez o docente deixar um questionamento no ar: “O que a chamada espécie mais inteligente do mundo está fazendo? Precisamos mudar o comportamento”.