Motos para aplicativos de delivery causam especial apreensão: pressa e risco em nome da eficiência (Sílvio Luiz/ AT) Se as motocicletas representam liberdade para muitos condutores, também são sinônimo de desafios para os gestores de trânsito. Os dados de vítimas fatais sobre duas rodas são ilustrativos: a atenção deve ser redobrada para evitar ainda mais óbitos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O aumento nos motofretistas e entregadores de delivery ajuda a explicar o crescimento nos sinistros, fruto de uma cultura que, segundo o assessor jurídico da CET - Santos, Marco Vieira, preconiza a pressa em nome da eficiência. “A pressão por entregas rápidas é o centro da vulnerabilidade desses acidentes. Essas empresas trabalham com algoritmo, cumprir metas pelo menor tempo possível. E, quanto menor tempo possível para cumprir metas, maior a renda que se obtém. Mas, se há estímulo a uma conduta perigosa, que desestimula o cumprimento de regras de trânsito e de direção defensiva, o resultado é fatal”, aponta. Alternativa Paulo Guimarães, do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), lembra que, além de ter mais motos circulando, elas estão rodando mais quilômetros, um movimento que vem desde a pandemia, com a proliferação de serviços de entrega. Mas não apenas isso. “Ocorreu uma migração do transporte público para o transporte individual, especialmente motocicleta, porque a população começou a enxergar na moto um transporte mais viável, mais barato, deixando de lado o transporte público”, argumenta. Ele lembra que o trabalhador autônomo é responsável integralmente pelo seu deslocamento. Na estrada Na Baixada Santista, as motocicletas têm a “concorrência” nas vias e estradas com outros veículos, como os caminhões. Isso também é fator de preocupação para a concessionária Ecovias Imigrantes, responsável pelo Sistema Anchieta-Imigrantes. “Temos alguns estudos iniciais sobre a faixa azul, uma sinalização específica para esses condutores”, diz a coordenadora de Planejamento Operacional da concessionária, Gislaine Testoni. “Também fazemos campanhas, como a distribuição de antenas corta-pipa”, diz.