(Fonte: Infosiga SP) A cada 15 minutos, uma pessoa perde a vida no trânsito brasileiro. Mas, a cada minuto, uma pessoa fica com algum tipo de sequela permanente. Além disso, na faixa etária entre 5 e 14 anos, o trânsito é a primeira causa de morte. Esses foram alguns dados apresentados pelo CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, Paulo Guimarães. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O painel “Trânsito em Números: o Tamanho do Problema” trouxe uma radiografia alarmante sobre os sinistros de trânsito no País. Porém, mais do que números, os quadros apresentados revelam a perda de vidas de jovens, adultos e idosos em um cenário cada vez mais hostil. “Muita gente não tem noção do tamanho do risco que o trânsito representa no nosso dia a dia. Diariamente. 61 milhões de pessoas se deslocam para fins de trabalho e educação no País”, demonstra. Nesse cenário, são cerca de 500 mil acidentes de trabalho por ano, sendo que 20% são acidentes de trajeto. “A cada cinco acidentes de trabalho, um tem relação com o trânsito. Quando se olha para as mortes em ambiente de trabalho, a coisa muda de figura: a cada cinco mortes, pelo menos três são em função do trânsito. A violência no trânsito impacta na produtividade e no desempenho das empresas, por exemplo”. Baixada Santista O número de mortes no trânsito na Baixada Santista cresceu 1,5% no primeiro semestre deste ano, de 136 para 138, na comparação com janeiro a junho de 2025. É um contraste com o índice estadual, que caiu 5,9% no período (de 3.051 para 2.871). Uma das preocupações é com motociclistas, cujo total de óbitos cresceu 16,1% no período (de 56 para 65), ante queda de 1,1% em âmbito estadual (de 1.345 para 1.330). Os dados são do Infosiga. Das 138 vítimas fatais no período, além dos 65 motociclistas, perderam a vida 38 pedestres, 21 ciclistas e 13 ocupantes de automóveis. Além disso, 56 mortes foram em rodovias e 54 em vias urbanas. “Se a gente for olhar para o que aconteceu na Baixada Santista, a gente vê claramente o impacto das motocicletas aqui no primeiro semestre de 2026. A grande concentração de esforço deve ser direcionada para esse grupo de vítimas, que é o mais urgente e emergente, não só aqui, mas no país inteiro”, recomenda Guimarães. Na distribuição das mortes no trânsito por cidade, o maior número verificado é em Guarujá, com 30 vítimas fatais, seguido de Praia Grande (27), Santos (25) e São Vicente (20) - os números completos e o comparativo com o mesmo período do ano passado estão no quadro acima. Plano e observatório O CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária lembra que a Baixada Santista já deu um passo importante para a mitigação dos conflitos de mobilidade, que foi a elaboração do Plano Regional de Mobilidade Segura e Logística da Região da Baixada Santista (PRMSL-BS), que tem uma série de ações previstas, inclusive relacionadas à segurança viária. “A grande função desse plano e uma das ferramentas previstas no plano é a instituição de um Observatório Metropolitano de Políticas Públicas, que vai ser responsável pelos dados para gerar diagnósticos, priorizar ações que precisam ser colocadas em prática, fazer a intervenção e, depois, monitorar a avaliação”, ensina. Percepção de risco O especialista ressalta a importância da percepção de risco, que ajuda a livrar de situações que ajuda a eliminar fatores que contribuam para acidentes. Ela existe, mas não é exercida na plenitude. “Em 2024, em 73% dos municípios brasileiros, o trânsito matava mais que a arma de fogo. E muita gente não está atenta para isso. Em período de eleições, pouco se fala sobre segurança no trânsito”, lamenta. “A grande função desse plano e uma das ferramentas previstas no plano é a instituição de um Observatório Metropolitano de Políticas Públicas, que vai ser responsável pelos dados para gerar diagnósticos, priorizar ações que precisam ser colocadas em prática, fazer a intervenção e depois monitorar a avaliação”, Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária (Sílvio Luiz/AT)